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Problemas de Mentalidade

por 27 de Julho de 2017À saída do estádio0 Comentários

Eu não sou nenhum catedrático do futebol, nunca estudei os manuais da táctica, da metodologia de treino, da psicologia aplicada ao desporto, nada, eu nunca li nada disso. A minha paixão pelo Sporting apareceu primeiro que tudo o resto, depois com a idade aprendi a gostar de futebol, em particular do futebol bem jogado.

Não sou nenhum mestre da táctica nem um novo André Villas Boas desta vida. Quando era mais novo, comecei a jogar futebol nas camadas jovens do União de Leiria até ao dia que um grupos de amigos desafiou-me a ir a um treino de Andebol.  Ao contrário do que eu pensava, acabei por gostar bastante da experiência. No entanto, trocar o futebol, onde jogava com as equipas mais conhecidas, por uma modalidade onde tinha de disputar os campeonatos distritais, não fazia parte dos meus planos. Certo é que fui ficando e aprendendo a gostar de jogar andebol.

Embora tivesse disputado duas fases finais nacionais em “iniciados”, foi no primeiro ano de “juvenil” que passei a jogar frente às melhores equipas e nos melhores pavilhões nacionais. Perdi e ganhei. Ganhei muito mais do que perdi. Ganhei aos índios – uma delas levaram uma sova tão grande que até desligaram o quadro da luz do pavilhão, ganhei (esta dava cabo de mim) ao Sporting, ganhei ao ABC, Madeira SAD, Belenenses e a (Quase) todas as equipas da primeira divisão nacional.

Durante mais de 10 anos, tive vários treinadores. Alguns mais instruídos que outros, uns mais fortes na comunicação e na motivação, outros mais fortes na vertente táctica, contudo, todos com um objectivo comum: Jogar para ganhar.
Os meus treinadores também testavam, experimentavam, falhavam, corrigiam e aprendiam. Nos treinos, nos jogos de treino com os juniores e seniores, nos jogos de treino à porta fechada, estes eram os momentos em que os meus treinadores inventavam e testavam novos processos, novas combinações e novas adaptações. Em jogos de treino “mais a sério” jogava sempre a equipa que o treinador idealizava que, durante a época, seria titular. Jogavam os que seriam titulares porque o objectivo destes jogos era, precisamente, para colocar em práctica aquilo que fazíamos nos treinos, para além de se trabalhar os mecanismos da equipa, a confiança e os índices físicos.

Agarrando nisto e passando para o futebol do Sporting, eu pergunto: Acreditam mesmo que, ontem, os jogadores saíram de Rio Maior mais confiantes? Mais entrosados? Mais conhecedores dos processos tácticos e das ideias do treinador?

Num ano em que o Presidente do nosso Clube afirma que temos de ser mais exigentes e mais capazes, vejo a mesma mentalidade de outros anos. O futebol sénior não ganha um campeonato há 15 anos e os adeptos continuam a assistir impávidos e serenos e a dizer que quem critica não é do Sporting, que quem não percebe que estes jogos servem para inventar não percebe nada disto e é lampião…

Faz-me uma confusão do tamanho do mundo a hipocrisia de alguns adeptos. Aqueles tipo de adeptos que são amigos de alguém e que vêem esse alguém fazer alguma coisa mal e não o dizem para não ferir susceptiblidades.  
Jorge Jesus, julga-se dono e senhor da razão. Os erros em Vila do Conde, em Varsóvia – entre outros -, as suas exigências disparatadas, os números infinitos de contratações falhadas, as invenções, as teimosias e as adaptações, só porque sim, não se podem justificar apenas com um “Ah, o Jesus é assim, gosta de inventar”. Mas o Sporting não é o Jorge Jesus. É bom que se perceba isso e que se lute para que todos dentro do Sporting percebam e tenham essa noção.

A época passada, todos os adeptos pediam que Bruno de Carvalho retira-se a pasta do futebol a Jorge Jesus, isso não aconteceu. Jorge Jesus quer, pode e manda. O Sporting está a investir nos fetiches do treinador, a dar-lhe total liberdade em todas as áreas e não exige nada em troca.

Ou nós também mudamos a nossa mentalidade e passamos a ser muito mais exigentes com quem ganha camiões de dinheiro, ou o nosso futuro pode vir a ficar hipotecado. A mentalidade para esta época tem de ser posta à prova, tem de mudar de paradigma.  Daqui, D´As Redes do Damas, esta época, não vão existir palmadinhas nas costas, nem desculpas que, por vezes, o coração arranja. Se o objectivo este ano é ser campeão, não chega bater palmas e cantar o mundo sabe que, é preciso trabalho, sacrifício, dedicação e humildade. Esta última não faz parte do leque das características positivas do meu treinador.