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Bola na mão ou mão na bola?

por 23 de Dezembro de 2016Os textos do Damas0 Comentários

Passa sempre por uma questão de interpretação. A par da lei do fora de jogo a bola na mão (ou mão na bola) é a que mais tem dado dores de cabeça tanto a juízes, jogadores, treinadores e adeptos. Resumindo… a toda a gente no futebol, menos a quem não tem sido afetado em termos de resultado. Porquê ter escolhido este timing para falar no assunto? A primeira razão é a de “mais uma vez” termos tido razões de queixa, desta feita no Restelo, a segunda é a de não estar a aproveitar a boleia de algum outro desaire para mandar murros no mesmo sítio da parede.

Então o que diz a lei sobre este tema?

“A punição de um jogador por mão na bola está inserida na Lei 12 das Leis de Jogo da FIFA, associada a um contexto de comportamento antidesportivo se um futebolista “tocar deliberadamente a bola com as mãos ou com os braços – excepto o guarda-redes dentro da sua própria área de grande penalidade”. A Lei tem uma interpretação/recomendação, em que o árbitro deve ter em consideração os seguintes critérios: “O movimento da mão na direcção da bola (e não a bola na direcção da mão); a distância entre o adversário e a bola (bola inesperada); a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infracção.” (J.N. 25 de Agosto de 2009)

“Entre os árbitros presentes na reunião, integrada num dos cursos da UEFA para árbitros de elite, estiveram os portugueses Pedro Proença, Olegário Benquerença e Jorge Sousa. Todos eles ouviram Pierluigi Collina criticar algumas decisões recentes em lances que considera naturais e não passíveis da marcação de qualquer grande penalidade. (…) Dando exemplos práticos, Collina foi claro quando disse que os árbitros devem ter em conta o movimento natural de um jogador quando corre, quando tenta cortar uma bola ou quando salta. Neste tipo de situações os árbitros reconhecem que quando um jogador salta não o pode fazer com os braços caídos e que, por outro lado, quando corre não pode fazê-lo com os braços atrás das costas. No essencial, os árbitros devem estar mais atentos e não transformar o que é bola na mão em mão na bola.” (Record, 15 de Março de 2013)

Se for pela intencionalidade cerca de 10 por cento dos penalties têm razão de existência. Especificamente, Gonçalo Brandão interfere com a trajetória da bola, sem intenção, a curta distância de Bas Dost. Um lance sem querer mas que poderia muito bem ter interferido com o sofrível resultado deste último jogo, algo diferente do que ocorreu às mãos de Pizzi e de Nélson Semedo na Luz.

Por mais formação que se dê dentro de 4 paredes o público em geral acaba por não ter acesso de forma facilitada às regras ou à sua eventual atualização. Também o que se continua a ver é que determinado estilo de jogo sai mais prejudicado face à subjetividade da interpretação de cada árbitro. No nosso caso temos insistido muito nos cruzamentos o que faz com que haja maior probabilidade de lances ambíguos, assim como em jogos de maior caudal ofensivo, contra equipas de menor porte tático.

Se a mão na bola não é marcada pela sua não intencionalidade em lances nos quais interfere diretamente com a trajetória será um auto-golo ou um remate ao lado interpretados com decisões de juízo objetivas? É que no fundo também acaba por ser sem querer..