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SPORTING CP 1 – 1 CD TONDELA

por 24 de Outubro de 2016À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

“A equipa esteve impecável. Eu é que não gostei do tom dela.”

Na minha terra havia uma casa das chaves. Era lá que toda a gente ia mandar fazer as fechaduras, os duplicados das chaves, os trincos e ferrolhos, com que protegia as suas casas. Petit, o trinco caceteiro, se fosse leiriense dos anos 80/90, era lá que trabalhava. A fazer duplicados de chaves e a instalar fechaduras.
Sim, esse ex-internacional tuga, um trinco ao melhor estilo Paulo Bento mas com cabelo à escovinha, capaz de dar lenha a níveis de um Paulinho Santos, foi afinal um tipo que acabou a carreira a médio criativo de uma equipa alemã (I shit you not! Rui Costa de Köln.)

O Sporting obteve mais de 70% de posse de bola. Normal. O que pouca gente esperaria era de uma taxa tão baixa de remates à baliza do Tondela.

Foi do Tondela que observei uma jogada de contra-ataque de belo efeito, toda ela a mostrar o querer e a vontade. No fundo tudo o que faltou ao futebol leonino, de posse, mas com a consequência e acutilância de uma pastilha elástica colada aos paralelos da calçada.

Juntemos a esses ingredientes as “lesões” sucessivas de jogadores de amarelo, com a benevolência do homem do apito e temos um empastelado jogo, típico do campeonato português, esses que o Jorge Jesus devia conhecer de cor e salteado. Mas afinal não.

Um-a-um:

Patrício: sofreu mais golos do Tondela que da França na final do Euro.

Schelotto: É esforçado. Diz-se que um tipo que não tenha sucesso em mais nenhuma parte do campo, pode dar um lateral direito. Seria a minha posição se tivesse dado para jogador de bola. E diriam o mesmo de mim. “Um tipo esforçado.”

Coates: Defesa central, a certa altura era o elo de ligação entre a defesa e o ataque, era ele que transportava a bola no meio campo, o que é dizer muito da equipa esta noite.

Ruben Semedo: não deve ser fácil ter que estar atento aos avançados adversários e ainda aos laterais da própria equipa.

Zeegelaar: quando um médio ofensivo gorducho adaptado a lateral esquerdo é melhor opção para a sua posição que ele próprio, está tudo dito da sua utilidade para a equipa. (Embora convenha recordar que é ele próprio um médio ofensivo, embora fininho, adaptado a lateral esquerdo.)

William Carvalho: não foi um dos seus melhores jogos, embora poucos se possam salvar desta noite. Pode ter a ver com o facto de ter cortado o elegante bigode, qual Sansão de pêlos faciais, ou com a mediocridade da equipa em geral. Eu aposto em ambos.

Elias: em certa entrevista, justificou-se que não deu mais aquando da sua primeira passagem pelo clube por causa de problemas com ordenados em atraso. Ficamos assim a saber que há, neste momento, ordenados em atraso no Sporting. Ó BRUNO DE CARVALHO…?

Gelson Martins: imaginem o Titanic a afundar-se contra um iceberg. Imaginem o medo na face de toda a gente. Imaginem a desorientação na cara do capitão do transatlântico, um tipo de cabelos brancos perdido ali no banco. Imaginem o puto Gelson a dar um recital de violino no seu Stradivarius ao qual ninguém escuta nem presta atenção no meio do pânico e algazarra geral. Foi dele o cruzamento para o golo do empate.

Bryan Ruiz: tentou duas ou três flechas pelo meio do matagal de pernas tondelense. Depois andou por ali. Se há característica deste jogador é a sua visão de jogo aliada a uma grande experiência. Ele vê no campo antes de todos os outros verem. E ele viu logo que hoje não era para ganhar aquilo.

André:

Bas Dost: quando um funcionário de um estabelecimento não tem que fazer por falta de clientes, em vez de ficar parado a olhar para o relógio, é costume inventar qualquer coisa para se ocupar. Lavar os vidros. Polir os cromados. Arrumar o armazém. O funcionário Slimani fazia-o. O funcionário Jardel não estava para isso, mas ia buscar os clientes à rua. Bas Dost só atende os clientes que lhe entram pela porta.

Entraram ainda:

Bruno César (por Elias): por mim devia ter entrado de início, enquanto o Elias tinha ido aos serviços administrativos do clube tratar dos ordenados que aparentemente tem em atraso. Quando a equipa necessitaria como pão para a boca de ter um Bruno César na lateral esquerda, outro a extremo esquerdo e outro em apoio ao ponta-de-lança… E atenção que estamos a falar de um jogador que é pouco mais que… mediano.

Castaignos (por André): percebe-se. O André tinha combinado com o Carrillo e o Fábio Paím à entrada do Urban e ainda tinha que passar por casa para tomar duche, calçar as Adidas douradas e colocar o cap da Obey. O Castaignos podia e devia ter-se estreado, por exemplo, no jogo da Taça contra o Famalicão. Um jogo tranquilo para se mostrar e ganhar confiança. Não no ingrato jogo de hoje. Como jogador de Football Manager, tenho as maiores esperanças neste puto.

Campbell (por Zeegelaar): não sei qual é a maior prova de estar totalmente desintegrado da equipa onde se está inscrito, se um golo quando já ninguém estava à espera, contra a corrente do jogo, se festejar efusivamente um empate contra um Tondela, algo que, para o Sporting é uma derrota, e levar um amarelo (e queimando tempo) por tirar a camisola nos festejos.

P.S.: o Nelson Évora foi apresentado ao intervalo como atleta leonino. Espero que o homem que, com os calções de lycra, mais parece trazer um alho francês no bolso, dê antes um bom lateral esquerdo. Estamos a precisar. Mais do que qualquer tipo de hortaliça aos três pinotes antes de aterrar na areia…