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Rugido à espanhola!

por 15 de Setembro de 2016À saída do estádio, O Sporting lá fora, Os textos do Damas0 Comentários

Há alturas nas quais não precisamos que os nossos ídolos tenham cem por cento de sucesso para que possamos ser felizes. Ao livre de Cristiano Ronaldo no minuto 90 apenas pensei “Manda ao poste ou à barra, é espetacular na mesma!” ou então ”Proporciona uma defesa genial para a fotografia do Rui!”. Deu golo, daqueles que com asas quase deu para tirar. Silenciei-me mais… enquanto vi o melhor do mundo a apontar aos adeptos verde e brancos num saudoso ato de respeito, ao invés de festejar efusivamente com os colegas.

Não vou optar por reduzir a derrota sendo em casa do campeão em título. Não me conformei quando outros o fizeram em Munique na época passada e expressei-me nesse sentido. Jamais serei hipócrita para o minimalismo da perda em si. Daqui a alguns anos o resultado traduzirá a normalidade de o Real Madrid ter ganho um jogo caseiro, não o facto de o Sporting Clube de Portugal ter colocado o Santiago Barnabéu em sentido. Para nós, este misto de emoções ficará bem presente durante muitas conversas. Ainda bem.

Trazer um bom resultado de Madrid premiava sempre pontos, dinheiro e prestigio, mas também algo mais. Partindo do pressuposto que a equipa do Real passa o grupo resta saber quando é que ficam à larga para jogar a feijões. Se for na sexta jornada é contra o Borussia de Dortmund, o que traz uma complicação extra para o nosso lado. Se for na quinta jornada, em Alvalade, os alemães ficarão também eles, mais aliviados na derradeira etapa. Nunca conseguiríamos, então, uma vantagem de circunstância melhor que Dortmund a não ser que… a equipa de CR7 seja obrigada a lutar pelos resultados até ao fim.

Ora se há nome que fique lacrado num relvado, ontem deve bem ter sido o de Gelson Martins. Correu, fez correr e espalhou charme como se o futebol tivesse sido inventado por ele. Temos zero ídolos porque no fim do jogo o peão e o Rei são guardados na mesma caixa. O menino cheio de humildade promete dar que falar numa altura em que o Sporting faz e fez questão de mostrar que não está em saldos. Com a dinâmica que a equipa leva nesta fase precoce da época… o futuro será promissor.

Pés assentes na Terra! É o que se pede agora. Ainda sem falar no Legia, há campeonato para gerir, com o pensamento na vitória nos próximos jogos. Teremos que considerar todo o adversário como um Real Madrid, que nos levou por vencidos com um livre do outro mundo e um cabeceamento à queima roupa, ambos também defendidos por Patrício. Mas reduzimos o adversário no seu campo na maior parte do tempo. Está bem que foi o detentor do troféu…
Mas queria ter ganho na mesma. Muito!