Cristiano-Ronaldo-Croatia-Modric

Um líder! Uma seleção! Um país!

por 28 de Junho de 2016A nossa Selecção, Os textos do Damas0 Comentários

Chegou a altura dos 8 melhores da Europa. Dos 51 jogos totais faltam apenas jogar 7 partidas e, embora nem todo o excelente futebol tenha seguido em frente, fruto de alguns emparelhamentos dignos de finais, há detalhes deliciosos a mencionar e algumas borras na pintura que devem servir de exemplo. Os confrontos de alguns adeptos acabam por marcar a parte obscura do Europeu. A juntar há ainda o caso dos bilhetes do mercado negro que renderam 500 ou mais por cento a quem os vendeu em cima da hora, vergonhosamente incluindo alguns “luso-oportunistas” que deixaram, por exemplo, o Parque dos Príncipes com mais adeptos austríacos do que portugueses no jogo de dia 22. A elevar o futebol novamente a estatuto de desporto rei há golos de encher as medidas do globo ocular (Payet, Ronaldo, Shaqiri…) e uma admiração pelos adeptos irlandeses pela forma como celebraram, festejaram, fizeram sorrir e entreteram por toda a França.

(Spoiler alert) Ao jogo 44 finalmente apareceu um tomba gigantes. Aquela equipa que Portugal não teve o discernimento de golear afastou um histórico do futebol. Ragnar (Sigurdsson) esmagou os ingleses e fez parecer um resumo das primeiras duas temporadas da série “Vikings” porém, o experiente central Islandês, que marcou o golo do empate no último jogo dos oitavos de final, fez com que mais ninguém falasse do travão colocado às Quinas no primeiro confronto dos Islandeses. A par da saída da Inglaterra que nunca chegou a convencer por completo (dizer há uns anos atrás que Dier e Ronney jogariam quase na mesma linha do campo seria loucura) os espanhóis também seguiram de férias mais cedo, abafados pela pragmática seleção italiana em mais um jogo de finalização em cima da linha de golo. A pior parte… não poder ver mais Iniesta até ao final da competição.

Ainda que traga alegria para alguns o equilíbrio não nasce de geração espontânea e sustenta-se pela tristeza de outros. O império croata que tanta expectativa causou pela possibilidade de galopar finalmente a uma final esbarrou no pânico controlado por Portugal, em jogo de nervos.
“Claro que estava feliz por termos vencido a Croácia. No entanto, não podia celebrar no terreno de jogo, porque o meu irmão Luka Modric estava a chorar. É meu dever confortar o meu irmão.” (CR7)
Afinal o tal gajo arrogante que tem bolas de ouro a mais e que manda microfones para o rio porque não sabe que liberdade de imprensa e invasão de propriedade são a mesma coisa saiu-se com esta boca falando de um colega de equipa pelo qual nutre um respeito ao nível das suas lágrimas. Sincero!

Do jogo em si, o adepto de bancada teve do seu lado a razão. Incluído no onze inicial, Adrien Silva liderou um meio campo que escondeu a espinha dorsal da Croácia, a mesma que tinha sido chave para bater a Espanha e vencer a fase de grupos. Não foi o jogo mais bonito de se ver mas nem todo o soldado sucumbe na guerra com uma morte linda. Há a urgência de ganhar e só depois a importância de jogar bonito. Se é injusto falar de um Portugal que não retoca a beleza em 2016 podemos bem recuar a 2004 e verificar que na final, não ganhou quem mais replays de jogadas teve. No entanto, daqui a 50 anos é o nome da Grécia que se fala no Hall of Fame desse ano. O ponto a nosso favor é que a Polónia não vai conseguir analisar 2 jogos seguidos com o mesmo onze inicial e o segredo esse, é mesmo a alma do negócio.

Contas feitas, os sobreviventes do grupo D já desapareceram (Croácia e Espanha). Do grupo A (França) e B (País de Gales) só os líderes estão ainda em prova e, nos restantes países que chegaram aos quartos de final, apenas Portugal sobreviveu com o peso de ser terceiro classificado ao contrário da Hungria que ganhou o grupo e que foi esmagada pela Bélgica na fase a eliminar. Há ainda vozes que falam na sorte de termos passado apenas pela oportunidade de acesso dos melhores “piores”, senão já estávamos no avião a caminho de casa. Prefiro pensar que com este modelo surgem muitas seleções a jogar para o pontinho não fosse termos jogado contra autênticos autocarros à frente da baliza. Portugal joga melhor com quem nos quer ganhar. Esperemos que a Polónia o faça também porque eu quero festejar mais uma vez.