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Adeus micro! Adeus lago dos tubarões!

por 23 de Junho de 2016A nossa Selecção, Os textos do Damas0 Comentários

Ainda hoje se fala de quem deve e não deve jogar no nosso Portugal, de uma forma mais pacata é verdade, desta feita num tom mais de aviso face ao anterior, de ameaça. Basta um café rápido, uma paragem nas bombas de gasolina ou até a comprar um jornal no quiosque. O país já vive a tão esperada calmidão após o arrancar de cabelos do duelo frente à Hungria no último jogo da fase de grupos. Foram precisas 2 horas das 17 às 19 de um dia útil de trabalho para se poder assistir ao jogo mais intenso do Euro, isto para quem conseguiu fintar o patrão. E três empates na fase de grupos poderão mesmo ser um bom prenúncio. Que o diga a campeã mundial Itália de 1982.

Acabámos, pois, por ser premiados pela nossa incapacidade de gerar vitórias. Até ao golo da Islândia aos 94′ os ingleses faziam o trabalho de casa relativamente à seleção das Quinas. A explosão do “Perestrelo” islandês no momento do golo de Traustason à Austria (2-1) trouxe à memória o seu locutor homónimo holandês quando Bergkamp eliminou a Argentina no Mundial de 98, também em França.
“Schwarzenegger, não és ninguém!”
“Beethoven e Mozart! Aprendam com a Islândia, isto é que é música para os meus ouvidos”
“Vocês podem ter o Niki Lauda, mas não nos apanharam, pois não?”
Da saudável loucura à felicidade no futebol e na qual também já tivemos muitas doses oriundas das estridentes cordas vocais do nosso Jorge, com saudade, Portugal também festejou, não tão efusivamente, mas com alguma sorte à mistura.

Esta sorte não é tanto pelo facto de termos evitado os “Bifes” mas sim por passarmos para a metade de equipas que não envolve as selecções com mais palmarés que a equipa Lusa. Encontramos a Croácia que está a surpreender (ou não!) o mundo do futebol e caso possamos sair vitoriosos encontraremos nos quartos de final Suiça ou Polónia. A emparelhar com as meias finais, Bélgica, Gales, Irlanda do Norte e Hungria disputam entre si a oportunidade do derradeiro bilhete. Evitamos assim Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Rep. Irlanda, Eslováquia e Islândia até à final mas será errado não considerarmos já a próxima batalha de alto risco. O modelo de jogo croata é dos mais produtivos e gera golos mesmo com Modric e Mandzukic no banco. Há que salvaguardar que a margem de erro, se já era pequena, passa a ser nula.

Volto a terminar com mais uma medalha a CR7. Depois do episódio com o microfone respondeu a todos com eficácia e classe dentro das 4 linhas. A única coisa da qual poderá ser acusado é a de que mandou um bocado de lixo para o lago. Lixo jornalístico, podre, sem intenção de causa e intriguista. Se um referendo fosse feito a todas as pessoas, a grande maioria poderia tomar a mesma atitude e ser aplaudida. Sim, tínhamos o grupo mais fácil e tivémos cota parte no exagero de empates (3 em 4 no total de jogos do grupo F) porém, responder por 3 vezes com alma e sobriedade aos golos húngaros é de nível, tanto mais que o segundo e terceiro tentos do adversário nos pregaram uma partida maldosa pela forma como entraram. Todas as seleções deste grupo que passaram não perderam um único jogo mas houve uma em particular que levantou por 3 vezes a cabeça, a perder, com milhões a olhar. Cristiano Ronaldo é a cara dessa atitude. É a consequência do seu trabalho, para os que gostam e para os que dizem que olham para o lado!