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Portugal dos pequeninos?

por 20 de Junho de 2016A nossa Selecção, Os textos do Damas0 Comentários

Tal como Scolari havia dito, Portugal esmera-se sempre no mata mata. Talvez por isso, culpa própria ou não, o mata mata chega mais cedo, ainda na fase de grupos e é imperativo ganhar à Hungria na próxima quarta feira para levar a cabo as aspirações lusas de chegar mais adiante no Europeu (que tornámos) mais exigente dos últimos anos.

Há uns tempos tinha escrito quais os cenários da passagem de portugal, quer na primeira, quer na segunda posição do grupo. Ironicamente, ser dos quatro melhores terceiros classificados só aconteceria agora por milagre visto que só em caso de empate com húngaros e semelhante resultado dos islandeses com austríacos (neste momento temos o mesmo goal average mas menos golos participados do que os nórdicos), ou então vitória da Áustria (-2 goal average neste momento) nesse último jogo faria uma dessas seleções ficar com 3 pontos. Moral da história… com 2 pontos vamos de férias mais cedo.

Relativamente ao jogo em si, foi quase o mesmo do que se viu frente à Islândia. A equipa que mais remates fez na competição mas sem frutos relevantes no final. Porquê então falar na coluna central da equipa se a finalização é o que mais nos tem enterrado?!
Já se colhem frutos de William estar em campo. As saídas a jogar são mais fluídas e envolvem um menor esforço por parte dos médios mais ofensivos. João Mário, embora para inglês ver, jogou alguns minutos novamente fora da sua posição habitual o que não tira o máximo rendimento do médio leonino. Adrien, no entanto, continua com a vida difícil.

Assino por baixo todos os que defendem que o melhor meio campo poderá ter origem no esquema do Sporting. Até nem desaprovo as entradas do Renato na partida visto que, embora ainda não tenha maturidade competitiva em alguns lances, come metros quando pega na bola o que dá velocidade ao jogo. Realmente o que não compreendo mesmo é o Gomes lá da frente. O jogo pára muito nos pés, o passe é feito de forma banal e simples para quem está livre para receber a bola, normalmente de costas para a baliza e com um defesa atrás fruto de ,lá está, a sua própria desaceleração. Salvo um ou dois rasgos que se notam nos replays algumas fintas apenas resultam se atravessar o oponente ao meio.

Quando o nosso “organizador” é também considerado homem da noite, ficando com a performance (sabe-se lá como) à frente de William e Raphael Guerreiro, a coisa está mesmo confusa para quem tira notas do jogo. A meu ver, João Moutinho, André Gomes e Vieirinha podem contribuir mais para a nossa selecção a partir do banco de suplentes onde temos pessoas capazes de fazer a diferença e com bastante ritmo competitivo para tal. Não a 2 minutos do fim, não fora das suas posições. Espero que o seleccionador tenha já a mesma ideia.

Para o fim guardo mesmo a responsabilidade do nosso capitão. Portugal é festa quando Portugal ganha. Ronaldo é cagarola e agarra-se muito à bola quando Portugal não ganha ou quando CR7 falha o penalty. Também concordo que nem todos os livres (lado direito do ataque) tenham de ser marcados pela mesma pessoa mas colocar a culpa no melhor jogador do mundo é mostrar que todos os outros não têm responsabilidade. 27 remates no primeiro jogo, 23 no segundo, numa equipa que pode chegar lá mais vezes. Nenhuma seleção certamente descartaria o nosso ataque já que apenas um jogador nosso tem mais tiros que 10 países na mesma competição. Andarmos a jogar ao meinho no meio campo faz com que os rasgos tenham de ser sempre dos mesmos. Se não festejámos já por 8 ou 9 vezes o problema é o Ronaldo? Ou de andarmos a fazer novas experiências a cada nova batalha quando poderíamos ter já uma identidade de respeito à terceira partida?