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Até ao fim!

por 6 de Março de 2016À saída do estádio0 Comentários

Ontem não foi um bom dia. Foi agridoce, emotivo, e até mesmo desgastante.

É engraçado, o Sporting pode perder, mas eu nunca sinto que me deva nada. Devo tantas horas à cama, como o Sporting me deve em amor. Mas eu não consigo cobrar quase nada a esse amor. É impossível. Isto é-me intrínseco.

Eu queria falar de futebol, queria ser objectiva, falar de jogadas, tácticas, técnica dos jogadores, mas não consigo. Mesmo mais a frio, mesmo sabendo que ainda não digeri inteiramente o resultado, não consigo ser cerebral porque o que vivemos ontem é muito maior do que o que se passou nas quatro linhas. E não tem a ver com vitórias morais, não tem a ver com morrer na praia, até porque para chegar à praia ainda faltam 9 paragens, todas elas importantes. Tem a ver com amor incondicional, tem a ver com crença, tem a ver com algo maior que nós próprios, que não é palpável, e que custa pôr por palavras de tão complexo que é.

Do pouco que vi de manifestações de rescaldo, o que achei mais curioso foram adeptos (?!) do clube rival a comparar os festejos do campeonato com a recepção dos sportinguistas à equipa: 1) NÃO são SE QUER momentos comparáveis, uma é um acontecimento normal, expectável de uma conquista, outra é a demonstração de um desejo, uma expressão de apoio “fora” da cronologia normal dos acontecimentos; 2) há uma diferença, e grande, entre demonstrar bazófia (para quem tem dúvidas que siga o link para o dicionário) e demonstrar orgulho (se continuarem com dúvidas, sigam este também); 3) regozijo-me com a comparação não só porque não conseguem perceber o âmago do acontecimento, mas também porque precisamente nos últimos festejos desses adeptos aconteceu algo absolutamente incoerente – estragaram a sua própria festa, com violência entre os próprios, destruição da via pública, qual cenário de guerra. Devo ter uma noção diferente do termo “festejo”; 4) enquanto nós nos mobilizamos pelo bem do nosso clube, os outros mobilizam-se em despeito, qual gato melindrado em luta territorial, para ameaçar a integridade física. Nós apoiamos, os outros são cobardes. #VocêsSabemLá

Podemos não ser campeões, podemos ser apenas loucos e apaixonados. Mas estes apaixonados são inabaláveis no seu amor. São eternamente apaixonados que pedem apenas uma coisa: o respeito pela verde e branca. E ontem… Ontem não houve ninguém da equipa do Sporting Clube de Portugal naquele campo que não o tivesse feito. Para mim, um jogador que não tem a coragem de olhar o adversário nos olhos, e que prefere mandar-se para o chão, não sabe o que é o futebol. Pode jogá-lo melhor ou pior, mas não sabe o que é. Está meramente a defender um interesse que nem é o seu próprio, que se molda conforme as necessidades de forma duvidosa e mesquinha. Não há honra nem brio nesse tipo de atitude, mas parece que para a equipa adversária ganhar de que forma for é premissa.

Sim, perdemos o primeiro o lugar. Sim, não metemos a redondinha lá dentro. Mas depois da demonstração de carinho e de crença não haverá jogador que não corra um bocadinho mais, que desista, que baixe a cabeça a um confronto. Porque todos eles viram, e sentiram um pouco do que lhes demonstrámos, porque todos eles vão continuar a ouvir que acreditamos neles. Ser do Sporting é isto. É viver batalha a batalha, como se fosse sempre a última. São 27 pontos por disputar. Galvanizem-se!

Leoa Indomável