Os maiores adeptos da Europa

por 16 de Fevereiro de 2016Os textos do Damas0 Comentários

Em primeiro lugar, dar os parabéns aos adeptos leoninos pela vitória na eleição Eurosport para a equipa com os melhores adeptos da Europa.

É uma conquista subjectiva, porque se por um lado tal se resume à quantidade de cliques na votação, não esqueçamos que houve promoção da votação pelos clubes e que fomos nós a ganhá-la. Não é uma votação como estas que realisticamente define algo tão discutível como “os melhores adeptos europeus”, mas foi pelo menos necessário mobilizar mais adeptos que os outros. Há mérito. Ainda que, não seja isso que define, para mim, os maiores adeptos. Não é num “clique”.

Dois factos:

– O FC Porto é grande porque tem mais títulos (em futebol sénior*). Os adeptos gostam de lançar esse como primeiro argumento. Os títulos (de futebol*). Independentemente de como, e eles bem sabem como, até gozavam com isso, os "métodos do pintinho". Para eles, importa ganhar.

- O Benfica é grande porque é o que tem mais adeptos. São os maiores, os "mais grandes". É tudo deles, segundo os próprios. Há mais benfiquistas que portugueses. 14 milhões na última contagem do Guerra. Ainda que ultimamente tenham aparentemente lançado mão a alguns dos "métodos do pintinho", sem que isso ofenda a maioria deles.

E o Sporting? Bom, nós não somos do Sporting por causa de títulos (aqui já não meto "de futebol" e já vos explico porquê*). Nem por sermos a maioria. Não esperamos que o nosso clube nos dê aquilo que nos falta na vida real. É por causa disso que não andamos à facada ou desesperamos e ficamos em silêncio quando o clube não ganha. É preciso estar muito bem resolvido com a vida para pertencer a um clube que não papa títulos (de futebol* ahá!, aqui, voltei a meter), nem tem as maiorias das instituições desportivas e outras do seu lado.
Na maioria das vezes já sabemos que não contamos com apoio nenhum, para além do dos seus valiosos adeptos, seja onde for. No estádio rival, na rua, nos corredores da decisão desportiva, financeira, política, etc. Bem pelo contrário. Qualquer sportinguista sabe que é mais certo ser escandalosamente roubado num jogo qualquer ou nos bastidores do CD da FPF do que ao contrário. É assim e já sabemos que vai ser assim. Os rivais chamam-nos calimeros, mas também sabem que é assim.

Mas se fosse de outra forma, não poderíamos compactuar com isso. Se fosse o Bruno de Carvalho a oferecer prostitutas ou vouchers aos árbitros para ser beneficiado, já tinha sido expulso da presidência.

É assim. É-se do Sporting, porque sim e apesar de tudo. É preciso ser-se especial para o ser. Precioso. Diferente. É o que nos define. É o que irrita os rivais. Somos adeptos de um grande, para além de títulos ou de manias das grandezas. Somos enormes e isso é o maior dos títulos.

É como dizia o Kennedy, adaptado a esta situação: não perguntes o que o teu clube pode fazer por ti, pergunta antes o que podes fazer pelo teu clube.

Se os grandes cavalheiros e desportistas do virar do século Cosme Damião, António Nicolau d'Almeida ou José Monteiro da Costa quisessem escolher um clube nos dias de hoje para se fazerem sócios, decerto seriam do Sporting Clube de Portugal, clube que mais mantém os valores da sua fundação. E nós acolheríamo-los sem hesitar.

* títulos de futebol sénior. Porque em títulos conquistados pelo Sporting em modalidades consideradas desporto olímpico, somos o maior de Portugal e segundo do mundo, atrás do Barcelona. Mas não invalida em nada o que disse em cima, apenas o reforça. Somos diferentes.