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Se não fosse a sofrer, não seria à Sporting!

por 11 de Janeiro de 2016À saída do estádio0 Comentários

Se eu achava que ir a Setúbal não era passeio, receber o Braga era tarefa hercúlea.

O jogo começou tenso, e a equipa visitante fez algo inusitado nos dias que correm em Alvalade: marcou dois golos na 1ª parte.

A defesa leonina teve problemas com a rapidez com que o Braga se infiltrava, e tanto Bryan, como Slimani foram perdulários na finalização para as oportunidades produzidas. O temporal não ajudou, e foram vários os jogadores que ou escorregaram, ou não conseguiram manter a posse de bola. Por outro lado, é cansativa a recorrente dualidade de critérios que continua a existir na Liga: o cartão amarelo a Rui Patrício por demora na reposição da bola em jogo é para lá de ridículo, se considerarmos que o guarda-redes contrário o fez durante todo o jogo; se se dá lei da vantagem a uns, porque é que aos outros se interrompe sistematicamente o jogo? Porquê o pudor em mostrar amarelos? O jogo não precisava de ser inclinado pelo factor “arbitragem”, para isso já basta o anti-jogo, prática de apanágio do Braga.

No entanto, nós, os loucos e apaixonados, não desarmarmos e apoiámos o Sporting como se o jogo estivesse 0-0. Nós, os loucos e apaixonados, clamámos bem alto que acreditávamos neles. Quase nenhum dos 43 000 leões naquelas bancadas duvidou que a equipa daria a volta. Bastava tirar por segundos os olhos do relvado e medir as pulsações, e sentia-se a crença, a vontade inabalável de fazer mais, de fazer melhor, de fazer acontecer. E é esta devoção e dedicação que tanto faz jus ao nosso lema, que hoje reina no vulcão de Alvalade: nós os loucos e apaixonados acreditamos neles, mas mais importante – eles acreditam em nós.

E depois da tempestade vem a bonança, e na 2ª parte o Sporting apresentou melhor fio de jogo, e os suspeitos do costume voltaram a brilhar. Começam a faltar palavras para descrever o nosso capitão. Adrien foi dos mais inconformados, recuperando bolas e comandando sempre o resto da equipa. Bryan Ruiz só não vai de smoking para o campo, porque não o deixam. O perigo que sai daquele meio-campo tem o seu cunho, e por isso não foi de estranhar mais uma assistência (de tantas) de mestre no 3º golo. A remontada não seria possível sem o regresso aos golos de Montero (e merece tanto!), que num gesto técnico delicioso levanta a bola antes de rematar. E água mole em pedra dura, tanto bate até que fura - só podia ser Slimani!

Mas o momento do jogo é quando Rui Patrício faz aquela defesa monstra ao cair do pano. Daquelas que valem por um golo, daquelas que dão 3 pontos. É esta defesa que demonstra o quão diferente está o Sporting: a equipa gere as suas emoções durante o jogo. Galvaniza-se com o apoio, mas permanece cerebral, quer nos momentos em que está por cima do jogo, quer nos momentos em que é preciso jogar contra o relógio. Há uma coesão e concentração fundamentais, que não deixa que o pontapé desmesurado lá para a frente seja sistema e solução.

Ontem o Sporting sofreu e correu atrás do prejuízo, contra todas as adversidades, com milhares de crentes ao rubro (e a precisar de um cardiologista). Mas caramba... Se não fosse a sofrer, não seria à Sporting!

Estrelinha, és mesmo tu a brilhar para nós?

PS – Sintam bem a emoção com que se canta “O Mundo Sabe Que”! Oiçam como é cada vez mais sonoro o verso “para te ver sempre na frente”. Até Jorge Jesus mostra o que sente.

 

Leoa Indomável