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Porque sou louca e apaixonada.

por 7 de Janeiro de 2016À saída do estádio, Hoje é a tua vez0 Comentários

Desde há três épocas que vou sempre a Setúbal acompanhar o Sporting. Não costumo ir a jogos fora, mas este, e por nenhuma razão em especial, não perco. Como era jogo a meio da semana ponderei não ir, mas o marido incentivou e disse que saía mais cedo do trabalho e que se juntava a mim por lá. Olhei para o carro todo embaciado e cantei murmurando para mim mesma “Porque sou louco e apaixonado”. E não era para menos. O tempo estava pesaroso.

Cheguei ao Bonfim com um nervoso idiota. Vínhamos duma vitória com um rival directo, com um ambiente absolutamente envolvente e épico. O Inverno podia ter-nos convencido a ficar em casa, mas nós fomos. Cerca de 3000 leões a dar tampa à inconveniência sazonal, e a mostrar que os corajosos nunca viram a cara ao desafio.

Na revista, a segurança perguntou-me se ganhávamos, e eu respondi com um “sim” muito atabalhoado. Ela reforçou que se tínhamos ganho ao Porto por 2, ao Setúbal ganhávamos por 3. Só lhe consegui dizer que logo veríamos. Sejamos honestos, o jogo tinha ingredientes suficientes para o molho coalhar: uma equipa bem posicionada na tabela classificativa, últimas jornadas muito exigentes física e psicologicamente, aquela sensação desconfortável de “já houve aqui muita roubalheira” e claro, a importante missão de manter a liderança do campeonato!

Mas o molho não coalhou, e Slimani lá serviu a primeira dose, mas eu queria mais. Aquele golo sabia a pouco, sabia a perigo. Até que Bruno César dá um chuto no perigo, e o Sporting vai confortavelmente para o balneário. No segundo tempo serviu-se o resto. O Setúbal entrou a pressionar, mas o Slimani não é homem que se satisfaça com pouco, e tratou de aviar o 3º. Pouco tardou para que João Mário criasse uma obra-prima de golo que espelha exactamente como está a ser esta sua época – divinal. Não contente, Bruno César também bisa, e deixa no ar que pode ser chef caso seja necessário. Aquilani fechou o contador, e nas bancadas ficámos todos de barriga cheia! É que como se não bastasse, Adrien continua a demonstrar uma subida de rendimento apetitosa, William Carvalho a dar (finalmente) vislumbres do que foi na época passada – recordo com grande entusiasmo três, t-r-ê-s recuperações de bola seguidas incríveis já perto da baliza adversária, para não falar de trocas soberbas de bola com Adrien, João Mário e Bryan Ruiz e um passe longo daqueles teleguiados, e a defesa continua incólume (pasme-se João Pereira!).

Só mesmo uma pessoa louca e apaixonada por este Sporting enfrenta uns 13ºC, afogada em camadas de roupa qual pneu Michelin, uma chuva molha parvos e as saídas de Lisboa à hora de ponta para ver 90 minutos de futebol. Mas o futebol é o do Sporting. E o futebol do Sporting somos nós também. Já é quase impossível dissociar aquele conjunto de jogadores sob a pauta de Jorge Jesus, das suas claques e adeptos. Quando eles entram em campo, nós também entramos e damos tudo, quaisquer que sejam as condições. E mais uma vez também jogámos muito, exactamente por sermos loucos e apaixonados.

PS – A segurança da revista só pecou por defeito no resultado estimado.