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O regresso à nossa condição.

por 24 de Janeiro de 2016À saída do estádio0 Comentários

O Sporting entrou em campo a saber o resultado do rival. Sabia, à priori, que era imperativo vencer para voltar a ocupar aquela que tem sido a sua posição ao longo deste campeonato. Nada mais que não fosse a conquista dos três pontos, permitia voltar a recuperar esse estatuto. A esta carga emocional existia ainda a noção e a consciência de que era fundamental alterar o rumo dos últimos dois jogos para, de uma vez por todas, acabar com as incertezas, com os fantasmas e com as criticas. Por isso, só uma equipa personalizada, ambiciosa e batalhadora seria capaz de fazer tombar um Paços de Ferreira muito regular neste campeonato.

O Sporting entrou bem, entrou mandão e assumiu as despesas da partida, é um facto. Mas as coisas melhoraram substancialmente quando, a meio da primeira parte, Jorge Jesus diz a Bryan Ruiz para deixar as costas de Slimani e começar a pegar no jogo em zonas mais recuadas, permitindo assim que Chuta-Chuta e João Mário dessem mais profundidade e amplitude no último terço do terreno. Essa "ligeira"nuance táctica causou efeitos significativos na desenvoltura do jogo do Sporting. A equipa cresceu, fixou-se no meio-campo adversário e tornou-se mais perigosa. Primeiro Ruiz, depois Adrien, depois Slimani...O Sporting ia tentando mas sem sucesso. Cheirava a golo em Paços de Ferreira! Até que numa desatenção da defesa pacense, Slimani, como que a aproveitar para dizer obrigado, sentou o adversário e serviu de bandeja Bruno César que não perdoou e atirou a contar. Foi a primeira explosão de alegria numa "Mata Real" pintada de verde e branco. Logo na jogada seguinte, o Sporting podia ter arrumado com o assunto, não fosse o petardo de João Mário ter acertado com estrondo no travessão da baliza de Marafona.

Veio a segunda parte e a história do jogo manteve-se. Mais posse de bola, mais iniciativa e mais vontade de vencer. Sempre com João Mário no comando das operações, o Sporting nunca abrandou o ritmo e manteve o pé no acelerador. Jogou solto, confiante e inspirado. E foi com naturalidade que chegou ao segundo golo, após uma grande abertura de João Mário (sempre ele!) para a desmarcação de Slimani que, na cara do golo, não desperdiçou.

Os minutos foram passando e a vitória parecia praticamente assegurada. No entanto, a sete minutos do fim, num lançamento de linha lateral, o Sporting sofre um golo de forma infantil. E, o que até então, parecia estar controlado, podia tornar-se complicado...

Podia: Pretérito Imperfeito. No minuto seguinte ao golo sofrido, o Sporting dá um exemplo cabal da sua superioridade. Numa recuperação de bola de João Mário (sempre João Mário!), o mesmo partiu para cima da defesa adversária, provocou o desequilíbrio e ofereceu a Slimani a oportunidade de bisar e sentenciar a partida. Foi a machadada final nas aspirações dos castores. As bancadas voltaram a festejar, a cantar e dar espectáculo. Sim, a "Mata Real" virou um mini-estádio de Alvalade. Sim, com a devoção e a dedicação destes adeptos dá a ideia de que o Sporting joga sempre em casa!

Foi um Sporting com alma e ambição. Uma equipa defensivamente equilibrada e ofensivamente inspirada. Naldo, William e Adrien estiveram muito bem na partida, mas é impossível não ficar deliciado com o futebol de João Mário e não olhar para ele como o melhor em campo frente ao Paços de Ferreira. Sempre a jogar de cabeça levantada, o número 17 encheu o campo com o seu futebol perfumado. Os seus pezinhos de lã, a subtileza com que adorna e conduz a bola e a capacidade com que lê os diferentes momentos do jogo fazem de João Mário um dos melhores médios do futebol português da actualidade. Foi ele quem pegou na batuta e orquestrou todo o futebol atacante da equipa. Dos seus pés saíram as mais belas notas musicais desta vitória que nos devolve à nossa condição. À condição de líder!