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Escuta, Sporting, ouve bem, esta é a alma da bancada

por 11 de Janeiro de 2016À saída do estádio0 Comentários

“Só eu sei, porque não fico em casa”, entoou Alvalade, após o segundo golo da equipa visitante. Sim, Alvalade. Numa casa muito bem composta, não houve lugar para dramatismos ou assobios – o tipo de coisas que fragiliza ainda mais quem está em campo a defender as nossas cores. Depois da clara falta de eficácia que a equipa demonstrou nos primeiros quarenta e cinco minutos, por que é que seriam os adeptos a criar mais um obstáculo? Os jogadores têm aprendido com os erros e ontem foi a vez de o “tribunal de Alvalade” sentenciar que nunca esteve tão unido, tão focado e consistente.

Não sentiram? A reviravolta nasceu na voz dos cerca de 43.000 leões. A reviravolta nasceu dentro das nossas gargantas, do nosso coração. O “nós acreditamos em vocês” veio da força mais poderosa do Sporting Clube de Portugal e foi um passe em desmarcação para a glória. Durante o intervalo, vi sorrisos, abraços que transmitiam segurança, meninos pequeninos às cavalitas dos pais com os braços no ar, bandeiras ao alto, mãos de quem acredita agarradas aos cachecóis e olhares de esperança fixados no relvado. Vi o acreditar que faz parte da nossa identidade, aquele que se torna palpável nos corredores de Alvalade e aquele que, por tantas vezes, já permitiu que fizéssemos história. Vi tanta coisa bonita… E estávamos a perder por duas bolas a zero…

O primeiro golo do Sporting deu alma ao nosso estádio. Impressionante, soberbo e indescritível o ambiente que se fez sentir depois de Adrien Silva ter colocado a bola fora do alcance do enorme Kritciuk. O nosso capitão é uma força da natureza e tem uma vontade sobre-humana, que passa para os colegas e que encanta quem o observa. Há muito tempo que precisávamos de um líder com a categoria e a raça de Adrien. A equipa insistiu e nós não desistimos. Mãos na cabeça, gritos suspensos, cânticos cada vez mais ensurdecedores e Fredy Montero a empatar a partida. Arrepiante e apaixonante. Foi um abraço conjunto entre todos os sportinguistas. Um abraço de família. Levantei a cabeça por breves instantes e deliciei-me com as imagens: Jorge Jesus pedia mais, os suplentes não conseguiam estar sentados e Alvalade continuou a dizer que acreditava. Os nervos não nos permitiam ser racionais mas, mais uma vez, Rui Patrício demonstrou que tem o poder de segurar as nossas emoções, depois de Rafa ter tentado congelá-las. Faltava um golo, mas o tempo corria e o adversário tentava adormecer a partida. No entanto, há um jogador do Sporting que não dorme e, mais uma vez, ofereceu-nos a vitória: Islam Slimani. Depois de um cruzamento milimétrico de Bryan Ruiz, o argelino cabeceou e deixou os meus olhos repletos de lágrimas. Acreditei muito durante toda a segunda parte mas, depois de a reviravolta ter sido consumada, estava sem força para saltar. Sentei-me na cadeira que me amparou ao longo da partida e chorei com a cabeça enterrada no cachecol. Na vida, existem poucos sentimentos tão gratificantes como aquele que invadiu o meu corpo após o 3-2. A minha vida… A nossa vida também é o Sporting Clube de Portugal e, pela primeira vez, vejo uma equipa que compreende a dimensão do símbolo que carrega e que faz tudo aquilo que pode para preservar este amor.

Eu não sei o que é que Jorge Jesus transmitiu aos jogadores durante o intervalo. Não sei se Bruno de Carvalho lhes passou algumas palavras de força. No entanto, houve uma mensagem que, muito provavelmente, ecoou naquele balneário: se 43.000 pessoas acreditam que somos capazes, nós também temos de acreditar!

No futebol, não se pode protestar por justiça, mas temos o direito de lutar por ela. Venha daí a próxima batalha.

Rugido de uma Leoa