Ewerton - Sporting Clube de Portugal

Os “Invisíveis”

por 1 de Dezembro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Costumam ser altos, entroncados e fortes. Durante o jogo, têm de disputar muitos lances pelo ar e beijam a relva quando os cortes são feitos na raça. Eles entram em campo com um olhar determinado, mas sabem que o mais importante é parecerem invisíveis.

Quando um central não marca numa das suas caminhadas até à área contrária e quando a equipa adversária faz três remates durante a partida, há muitos adeptos que se esquecem da sua existência. O jogo de ontem é o exemplo ideal para explicar esta perda de memória: desejámos um golo durante noventa minutos. Pontapeámos cadeiras depois de mais um lance perdido. Segurámos a respiração quando os nossos jogadores não encontravam a direcção da baliza depois de outro remate. Desesperámos, mas nunca deixámos de cantar. Fizemos setenta e um ataques, estivemos muito mais de metade do jogo instalados no meio-campo do Belenenses, mas as estatísticas não nos oferecem vitórias. As estatísticas não, mas a nossa dupla de centrais sim. E é quando olho para o passado que me apercebo, ainda mais, da nossa evolução. Quando olho para o passado, vocês deixam de ser invisíveis. Sabem que mais? Todos nós, depois de jogos como o de ontem, deveríamos olhar para o passado. Jorge Jesus tem toda a razão quando oferece estrelinhas aos jornalistas para colocarem nas árvores de Natal. Quem acompanha o Sporting Clube de Portugal tem consciência de que, muito provavelmente, em épocas anteriores, não teríamos saído de Alvalade com mais três importantíssimos pontos. Quantas e quantas e QUANTAS vezes assistimos a réplicas da tarde/noite de ontem? Querem falar-me dos episódios em que coleccionámos mais uma derrota devido a uma falha de um dos centrais? Estávamos muito tempo a colidir com o muro e, quando nos respondiam com a única arma disponível – o contra-ataque –, não tínhamos peões à altura na retaguarda.

Ewerton e Paulo Oliveira não nos deixam com as pernas a tremer quando pegam na bola, quando permitimos saídas rápidas em direcção à nossa grande área. Invariavelmente, impõem-se! Encostam o corpo, esticam a perna, saltam mais alto e são muito inteligentes tacticamente, adivinhando o movimento do opositor. Na minha opinião, Ewerton é um central com uma classe fora do comum, que tem o seu percurso manchado por variadíssimas lesões. Paulo Oliveira é a força inabalável que consegue ocupar quase sempre o espaço onde a bola irá cair. Os dois completam-se, e é isso que se pede a uma dupla de centrais. Mais: ainda têm a capacidade de disfarçar as lacunas defensivas dos nossos laterais. Há quanto tempo é que não estávamos tão descansados nesse sector?

É injusto deixar Naldo fora deste texto, até porque fez mais um jogo impecável na Rússia, contra o Lokomotiv. Se Jorge Jesus me estivesse a ouvir, talvez me falasse deste outro “problema”. E coloco entre aspas, porque há pessoas que têm dificuldade em entender ironias. A verdade é que se torna bastante complicado escolher os dois patrões da defesa mas, sinceramente, eu acredito que eles conseguem melhorar jogo após jogo porque sentem que existe uma competição saudável para a posição que ocupam.

Vejamos:

– Jornada cinco: Sporting 1-0 Nacional;

– Jornada nove: Sporting 1-0 Estoril;

– Jornada dez: Arouca 0-1 Sporting;

– Jornada onze: Sporting 1-0 Belenenses.

Eles podem parecer invisíveis, mas são bem reais. Mais reais do que a estrelinha.

Iluminem-me: o lance mais importante do jogo foi protagonizado pelo central do Belenenses, certo? Quanto é que ele pagaria para ter sido invisível?

Sporting sempre.

Rugido de uma leoa