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Oh Captain, my Captain!

por 6 de Dezembro de 2015À saída do estádio0 Comentários

– Aquela braçadeira faz-lhe bem, não achas?

Jorge Jesus costuma enaltecer a sua capacidade de provocar uma evolução nos jogadores. Na minha opinião, poderá dizê-lo sempre que queira. Provou-o na sua antiga equipa e no Sporting Clube de Portugal tem vindo a confirmar um dos pontos mais fortes do seu trabalho. O espelho desta afirmação é Adrien Silva.

O nosso capitão tem sido um autêntico poço de força no meio-campo. Este fim-de-semana, depois de uma fortíssima entrada do Marítimo no jogo, foi ele que nos conseguiu manter ligados ao ataque com várias recuperações em disputas de bola. Não dá um único lance como perdido e salta à vista a maior rapidez que impõe nos processos de construção. Cansa olhar para Adrien dentro de campo, pois nunca está parado. Pressiona o adversário, anula linhas de passe dos opositores, reconquista a posse de bola, consegue serenar o ritmo de jogo quando é necessário, mas também tem tido capacidade para assistir os colegas e, mesmo forçando a barra do esforço físico até ao limite, o nosso capitão ainda arranja critério para marcar golos. É importante olhar com maior exactidão para os cinco golos que Adrien leva na presente temporada:

– Primeiro golo: penalty convertido aos 90+8’ na jornada inaugural do campeonato, contra o Tondela, em Aveiro. Depois de inúmeras oportunidades desperdiçadas pela equipa, o capitão tinha de encontrar a frieza e a convicção necessárias para nos dar a vitória. Pressão. Muita pressão. Adrien não vacilou e os três pontos foram para Alvalade;

– Segundo golo: penalty convertido aos 10’ da primeira parte frente ao Rio Ave, em Vila do Conde. Num terreno historicamente complicado, o número 23 conseguiu colocar a equipa a vencer desde muito cedo, algo que se tornou decisivo para segurar o triunfo;

– Terceiro golo: o menos importante até ao momento, pois aos 60’ já vencíamos o Vitória de Guimarães, em Alvalade, por 3-0. Além disso, apesar de o remate ter sido intencional, sofreu um desvio num jogador da equipa adversária e acabou por enganar o guarda-redes;

– Quarto golo: costuma dizer-se que, quando uma equipa está em desvantagem na primeira parte, o ideal é conseguir chegar ao golo do empate antes do intervalo. Mais ainda quando se trata de um jogo a eliminar e quando estás a perder em casa contra o eterno rival. Aos 45+2’, quem é que foi capaz de pôr justiça no marcador? O nosso capitão. Com um pontapé carregado de força e vontade de reentrar na luta pela vitória, Adrien tranquilizou os nossos corações e prometeu-nos entrega até ao final da partida;

– Quinto golo: a cereja no topo de uma jogada colectiva incrível. Depois de um trabalho primoroso de João Mário do lado direito do ataque e de este ter escolhido Adrien Silva para visar a baliza do Marítimo, o capitão correspondeu com um remate de primeira aos 53’ que nos permitiu voltar da Madeira com mais três importantíssimos pontos.

Não há dúvidas de que Adrien Silva é um jogador com muito mais confiança e intensidade desde que Jorge Jesus chegou ao Sporting Clube de Portugal. Lembro-me do pânico que se instalou nos adeptos devido à ausência de William Carvalho. Ninguém via Adrien ter a dureza, a técnica e a robustez indispensáveis para ser o patrão do meio-campo. Jorge Jesus acreditou e o jogador correspondeu. Ganhou rotinas em pouquíssimo tempo e, depois de alguns jogos, já se ouvia:” O Adrien tem conseguido segurar aquele meio-campo de uma forma impecável!”. Com o regresso de William, Adrien desprendeu-se mais das tarefas defensivas e aventurou-se no ataque, mas continua com a sua postura extremamente solidária a defender. Eu não me esqueço da exibição magistral no estádio da Luz, onde fez uma assistência para Gutiérrez no primeiro golo com um passe a rasgar toda a defensiva encarnada depois de uma das inúmeras recuperações de bola. Não me esqueço da raça que demonstrou na Rússia frente ao Lokomotiv, aguentando os noventa minutos em alta rotação e assumindo muito bem a titularidade com o Belenenses com três dias de descanso.

Precisamos de jogadores como ele. Adrien tem consciência das dificuldades, mas está sempre disposto a sacrificar-se pela equipa. Assume o comando da revolta depois de um momento menos bom durante a partida. Empurra os
companheiros para o ataque. Cai, mas levanta-se no instante seguinte. É o eterno lutador, que deixou muitas vezes o clube do coração, mas que só descansou quando voltou forte o suficiente para assumir a braçadeira de capitão.

 

Rugido de uma Leoa