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Não Ganhou O Mais Forte.

por 17 de Dezembro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Tinha tudo para ser um grande jogo. E foi, no que a futebol bem jogado diz respeito. Golos, emoção e incerteza no resultado. Os 120 minutos jogados na Pedreira ofereceram aquilo que a Taça de Portugal exige: um grande espectáculo.

O Sporting, o do tempo regulamentar, foi superior. Não foi avassalador – como o de outros (piada) -, não teve o domínio total da partida mas, enquanto a equipa teve pulmão, apresentou um futebol que chegava para que o desfecho, no placard, tivesse sido favorável. Assim não aconteceu. Mesmo depois de uma reviravolta, onde a equipa voltou a mostrar sinais de uma enorme força mental, o jogo arrastou-se para o prolongamento. Prolongamento esse, que foi fatal para os leões.

Nessa altura do jogo, o balão de oxigénio estoirou. Se alguém tivesse a ousadia de tapar a boca a jogadores como William, Slimani, Bryan Ruiz, Jefferson ou Adrien, eles teriam rebentado. O Sporting correu muito. Ao intervalo deste jogo, a equipa leonina tinha três quilómetros a mais nas pernas do que o seu adversário, justificados por uma pressão alta e constante. Enquanto houve canetas, fomos coesos e habilidosos. Jogámos de forma inteligente e objectiva. Lutámos contra todas as adversidades e mostrámos classe e categoria de equipa grande. Depois... depois, entram os outros factos alheios a um jogo de onze contra onze.

Está escrito nos manuais do futebol que aquilo que determina um resultado em jogos equilibrados são os pormenores. Ora, pois bem, foi, precisamente, através de minudências que o Sporting acabou eliminado nos oitavos de final da prova rainha.

Esta eliminação tem um sabor agridoce: é amargo porque fomos eliminados por um Clube do meio da tabela. Saboroso porque o Sporting teve momentos de grande inspiração colectiva. Fica no ar um sentimento de injustiça e de impotência devido a um par de decisões que acabaram por ter influência significativa no resultado. O árbitro deixou jogar, permitiu o contacto. A entrega e atitude das duas equipas assim o justificava. No entanto, o discernimento entre perceber onde está o limite e aquilo que está para além dele, falhou. Num lance que resulta no empate do adversário. Este foi o primeiro erro. O segundo erro, aquele que dita a injustiça deste resultado, é o momento em que o fiscal de linha assinala fora de jogo, quando Slimani se preparava para festejar novamente.

Convém referir que não andamos com os olhos vendados. É óbvio que nem tudo foi perfeito. William voltou a ser uma sobra daquilo que é. Nem o golo marcado disfarça uma – mais uma - exibição paupérrima. Voltou a estar aquém das expectativas. O mesmo se pode dizer de João Pereira e da forma como este aborda os lances na zona defensiva. Displicência, ingenuidade ou falta de estaleca? Acho que todos sabemos a resposta. Nesta nota de culpa sobra ainda um apontamento para as mexidas de Jorge Jesus, em particular, a de João Mário. Com o meio-campo amarelado e um William em sub-rendimento, parece ter sido uma decisão errada.

A partida não acabou da forma que ambicionávamos. Tínhamos prometido defender a rainha até às ultimas consequências e cumprimos. Fomos fiéis à nossa identidade, mostrámos garra e atitude, demonstrámos o tamanho da nossa força. No entanto, não fomos felizes. Agora é apontar as baterias para domingo, na Madeira, fazer o que nem os verdadeiros galopantes conseguiram e somar três pontos naquele que é o mais importante de todos os objectivos. Se há coisa que esta derrota reforça é a convicção de que este Sporting tem instinto campeão.