Jesus e arbitro

Pressão? Isto sim é pressão.

por 4 de Novembro de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Tem-se ouvido por aí que “o Sporting anda a pressionar os árbitros”. Uns à boca cheia, outros mais comedidos, lá vão aumentando o tom, nos jornais ou nas tv's, e todos com o mesmo propósito: chamar a atenção para o facto de o Sporting ser líder isolado – e bem – da Liga 2015/16.

Esta semana, depois de mais uma vitória e de a vantagem no campeonato ter sido dilatada – também por via de mais um caso de mau tempo na Madeira –, recebemos, com apreço, mais um comunicado da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol). Surpresa? Nenhuma.

Lendo o comunicado, que entretanto já foi explicado por José Fontelas Gomes, presidente da APAF, percebemos, à partida, três situações. Ponto 1: o comunicado, ainda que sem um destinatário definido, é uma mensagem para Bruno de Carvalho. Ponto 2: surge, única e exclusivamente, na sequência da guerra sem quartel entre dois clubes, vizinhos, sendo um deles o Sporting Clube de Portugal. Ponto 3: o comunicado, mais do que apelar ao bom-senso, é emitido em tom de ameaça.
De acordo com o documento, se “o clima de terrorismo verbal se mantiver e se as consequências pessoais que os árbitros têm enfrentado persistirem e galoparem como até aqui", a APAF tomará medidas "adequadas e justas".

Há um estrangeirismo de seu nome “timing”. Há uma palavra bem portuguesa chamada “noção”. Juntamos as duas e o que obtemos? Uma expressão que condiz muito bem com tudo o que se vai passando à nossa volta: “falta de noção”.

Não é à APAF que compete classificar o tipo de discurso proferido pelos dirigentes. Se os árbitros não se disponibilizam para, tal como jogadores, treinadores e dirigentes, falar no final dos jogos, explicar decisões ou admitir erros, também não lhes compete fazer análises genéricas e superficiais de momentos futebolísticos, ainda para mais quando as setas, sem nome, têm sempre o mesmo destinatário.

Lembram-se do boicote do árbitro João Ferreira ao Beira-Mar – Sporting da época 2011/12, que acabou por ser arbitrado por um árbitro da II divisão distrital de Aveiro? Confrontado com a possibilidade de novo “boicote”, o presidente da APAF esclarece: “"Estaríamos a ir contra o que apelamos e não é essa a nossa forma de estar”. Mas, José Fontelas Gomes que, aparentemente procura, com este comunicado, apaziguar mares mais revoltos, adianta: “Obviamente, se as coisas tomassem outro tipo de repercussões, que não tomaram até agora, seriam contas de outro rosário”.

Das duas uma, ou o presidente da APAF acredita que as trocas de galhardetes vão terminar ou, por outro lado, este comunicado, repleto de considerações genéricas e ameaças ardilosas, é apenas uma forma de condicionar e pressionar quem tem feito – e com razão – mais ruído, sendo que, neste caso, quer se queira quer não, se trata do presidente do clube que é líder isolado do campeonato.

Se, no episódio do boicote de João Ferreira – que, juntamente com Paulo Baptista, acabou castigado pela Federação – bastaram meia-dúzia de considerações genéricas para que toda uma onda de solidariedade se levantasse contra o Sporting Clube de Portugal, não queremos sequer imaginar o que ainda está por vir.

Recuperando as declarações, à data, de Godinho Lopes, o então presidente dizia o seguinte: “Não vou tolerar a falta de isenção demonstrada em jogos do Sporting. O Sporting não está à espera de ser beneficiado, mas não aceita nem quer ser prejudicado”. Na altura, Godinho falou de “incompetência” e não de “sistema”. Sublinhou que “só se sentirá pressionado quem for incompetente” e defendeu, à semelhança do que tem sido feito pela atual direção, o “recurso aos meios tecnológicos”, bem como “melhores condições de formação e competência” dos árbitros.

Se isto é pressão suficiente para abalar e levar à rebelião de TODOS os homens do apito, tal e qual um bando de virgens ofendidas, vou ali e já venho.

Portanto, meus amigos, agora que aqui estamos, preparem-se para guerra. Como disse Jesus, “agora, o mais difícil é saber defender o primeiro lugar”. E nós sabemos bem que ele não estava apenas a falar de futebol.

O Sporting somos nós!