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Postura De Um Líder

por 1 de Novembro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Entrei em Alvalade e apreciei, durante vários segundos, a moldura humana que encheu a nossa casa. Para mim, estes jogos são arrepiantes. Desculpem, mas não é igual. A nossa voz tem outra força, os nossos olhos brilham muito mais.

Não é igual lutar para nos mantermos líderes do campeonato. Quando a equipa entra em campo, o orgulho entra-nos no corpo. Quando a equipa marca golo, nós sabemos que marcámos mais um passo rumo a um objectivo que nos foge há demasiado tempo. Queremos ganhar todos os lances que disputamos, queremos acertar todos os passes, desenhar bem os cruzamentos para a área. E queremos tanto que a respiração se sustém, que os nervos nos controlam! Porque cada jogo é a final que precisamos de vencer. Porque dependemos do nosso trabalho do nosso mérito e somente de nós. Há quanto tempo é que isto não acontecia? Ansiávamos por escorregadelas dos outros, falávamos de ajudas programadas e éramos sempre, sempre aqueles que corriam atrás do erro, atrás do azar alheio.

Alguém partiu a mesa com o murro que deu e quer trazer-nos de volta ao protagonismo da glória. Alguém que estava cansado de correr pelo erro e pelo azar e quis ser o líder da corrida. Isto não é a guerra pelo título nacional, não é a guerra contra o Benfica ou contra o Porto. Entristece-me que não percebam que isto são as batalhas que nos poderão voltar a dar a dimensão inscrita em 1906. Pensem bem naquilo que querem defender e pelo que se estão a esforçar. O vosso ideal é vencer por três bolas sem resposta na casa do eterno rival? Conseguimos. Mas as nossas atenções não têm de estar centradas nisso depois de uma semana. Porque quando o fazemos, distorcemos os nossos objectivos e o rumo que estamos a traçar.

Um líder tem de ser capaz de se abster dos grandes triunfos para se conseguir manter mais motivado para o seguinte. Cristiano Ronaldo, quando questionado acerca do melhor golo da carreira, respondeu que “o melhor golo é sempre o próximo”. Porque de nada nos vale perdermo-nos em euforias excessivas se, no final, não formos nós a festejar. E eu escrevo isto porque vejo demasiadas pessoas com os pés fora da Terra, a querer adoptar um ADN que não nos pertence e que vos faz falar do final de Novembro quando há tanta luta até lá… Desenganem-se, meus amigos. Desenganem-se se, por acaso, já vos passou pela cabeça que seremos os mestres da facilidade. As equipas que lutam pela permanência fechar-se-ão na defesa e teremos de ter muita perícia no último terço do campo. Aquelas que sonham com lugares europeus terão a ousadia necessária para tentarem provocar estragos nas nossas muralhas e necessitamos de saber resistir.

Os que partilham os nossos desejos darão o peito às balas e testarão as nossas armaduras. Responderemos com garra, dignificando o nosso símbolo, ou com resultados de jornadas passadas? A guerra ainda não vai a meio. Mentalizem-se. Ser líder é muito mais do que estar na primeira posição da tabela classificativa e ontem, quando saí de Alvalade, já tinha a cabeça na vila de Arouca. E vocês?

 

Rugido de uma leoa