Slimani - Taça de Portugal - SportingxBenfica

Número 9

por 23 de Novembro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Venho agradecer-te. O futebol moderno não tem espaço para a construção de ídolos. Esse castelo bonito é tão leve como uma pena, como uma nota. Talvez mais como uma nota, vá-se lá saber porquê.

As crianças gostam de ter camisolas com um nome nas costas. Reconhecem a excitação que sentem quando assistem a mais um sprint do Ronaldo, porque adorariam correr tão rápido como ele. Reconhecem a técnica exímia do Messi porque, no ringue, também quereriam ser capazes de fintar os amigos todos e marcar golo. É a isso que elas dão valor. Elas não identificam as traições clubísticas e não ligam às notícias desportivas que dão conta dos jogos mesquinhos impostos nas renovações dos jogadores. Elas nem sabem o que isso significa. Contigo, eu quero ser criança. Não quero avaliar aquilo que poderá vir a acontecer, o facto de este mediatismo ser capaz de te levar para longe. Eu quero ser criança. Quero vestir uma camisola com o teu nome e lutar por todos os lances com a tua força, com a tua garra, com a tua vontade incalculável. Quero saber a que energias recorres para te apresentares 120 minutos em campo com a mesma postura de guerreiro. Como é que compreendes o nosso ADN tão bem ao ponto de teres consciência de que aquilo que fazes em campo seria o que todos nós faríamos se estivéssemos no teu lugar? É delicioso, incrível…

Há jogadores que marcam um clube. Por vezes, não importa o tempo que o representam. Importa o valor que deram ao símbolo pelo qual combateram durante esse tempo, a intensidade que transmitiam aos adeptos. Eu nunca me irei esquecer de ti. O futebol já me ensinou que dá muitas voltas, mas a vida também me vai ensinando que não podemos ser ingratos. Nós carregamos o amor, vocês carregam uma profissão. Eu nunca deixarei de amar o Sporting Clube de Portugal, mas sei que um dia poderás abandonar-nos. Só te conseguirei desejar toda a sorte, mesmo que esteja com lágrimas nos olhos. Continuarei a admirar toda a história que construíste com a nossa camisola ao peito e falarei de ti como um exemplo. Talvez alguns te condenem, mas esses são tolos… não sabem ser crianças.

Em momentos de desespero, quando já ninguém acredita e parece que uma força maior não nos permite marcar, tu apareces. Como um herói. E não me venham falar de sorte, porque já foste tu tantas vezes… no Sábado, correste para aquela bola como eu correria. Com a sede de quem tem a noção de que o Sporting tem de se voltar a impor. Com a ânsia de quem quer demonstrar que somos melhores, muito superiores ao buraco onde nos quiseram enterrar. Depois, festejaste connosco, como se compreendesses o valor daquela vitória e a ansiedade que nos estava a atingir. Que mais te poderemos pedir, Islam? Dedicação eterna? Claro que não. Eu sei disso e todos nós deveremos estar conscientes de que, um dia, irás sair.

“Vamos ganhar o jogo”, disse eu, quando a segunda parte do prolongamento estava prestes a começar. Perguntaram-me como é que eu tinha tanta certeza e foi aí que nasceu a lenda:” O Slimani ainda não marcou”. Obrigada por nos representares tão bem.

Rugido de uma Leoa