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Fear of Loss

por 23 de Setembro de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Deparo-me com a velha situação de tocar no assunto do “mais do mesmo” ou de apenas “constatar o óbvio”, este último um mini-foco que, para muita gente, acaba por não interessar nada, ou seja, ser mais do mesmo também.

Antes que me perguntem se estive ébrio enquanto montei este primeiro parágrafo deixo na mesa a cábula de que o caso Carrillo é mais do mesmo. O facto de o Sporting seguir uma campanha quase exemplar a nível de competições nacionais sugere a sebenta de constatar o óbvio. Quase, por causa do Paços. De resto, exímios a nível pontual… daí não interessar nada para quem habita no mundo das telenovelas cor-de-dejetos.

Em plena conferência pós Nacional da Madeira, a seguir à primeira pergunta chave a Jorge Jesus, na qual foi esclarecido que a não utilização de um jogador tem unanimidade coletiva a nível do clube e que não se voltaria a falar mais do assunto naquele momento, foram colocadas novamente questões sobre o avançado, prontamente direccionadas para o ralo por parte do assessor Diogo André, rasgando a senha de cada jornalista que quisesse perder tempo sobre a repetição do tema. Foi como atirar T-shirts com a palavra “Estúpido” para cima de condenados à morte que pedissem para última refeição uma dose de soro.

Claro que nem toda a gente vai achar graça, ao contrário de mim que jantei tarde na segunda feira e enchi uma parede de arroz só de rir ao ver aquela conferência de imprensa mal aproveitada por parte de alguém que tem de mostrar trabalho no dia a seguir e, os únicos conteúdos a segurar, serão mais do Jorge, do Bruno, do André (o ainda nosso), do pior arranque em 5 séculos ou até da decisão do TAS sobre o caso Doyen que vai fazer com que o o Sporting impluda de forma espontânea. Estar em primeiro, com maior ou menor dificuldade, tornar as vitórias não tão especiais – no bom sentido da sua regularidade, claro – ou realçar o que significa consolidação de contas já emana menos espectacularidade às luzes da ribalta. Os superlativos esses, terão sempre de lá estar nas colunas, em manchetes, fotografias do Ritz…

Um jogador procura o melhor para si. Os clubes também! Se esses dois pontos divergirem o melhor mesmo é não se relacionarem até que dê casamento ou divórcio. Não é que se diga que vai embora ou que fique contudo, quieto até lá! Que eu saiba no meu cartão de sócio não diz Carrillo 1906 pelo simples motivo de eu não saudar carreiras de jogadores mas sim prestações de serviços. Admirava-me pouco ler nos próximos dias uma ou duas indignações acerca do novo site do Sporting Clube de Portugal não ter também um domínio de endereço da web exclusivo no Peru. Era o que faltava…