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Protagonismo

por 11 de Agosto de 2015Sem categoria0 Comentários

A personagem desta Supertaça de Portugal é inquestionavelmente o treinador Jorge Jesus.

A qualidade já existia no Sporting, bem antes de Jesus chegar ao clube. Rui Patrício, Jefferson, Adrien, João Mário, Carrillo, Mané, Slimani. Mais recentemente, Paulo Oliveira. Portanto, a qualidade existe no plantel leonino em quantidade. (E a estes nomes poderia juntar vários outros da equipa B, que Marco Silva não descobriu, mas para os quais Jorge Jesus aparentemente olhou.)
Recordemos que o clube campeão português não ganhou nenhum derbi na época passada, portanto, antes do “cérebro” chegar ao Sporting e esteve mais perto de o fazer. Portanto, já havia qualidade no plantel, antes da troca de treinador.

Mas cabe ao treinador dar uma tática, um sistema de jogo. Cabe ao treinador fazer as substituições, que não devem ser as mesmas, planeadas para o mesmo minuto. Decidir, em conjunto com a estrutura dirigente, o calendário de pré-temporada. Cabe ao treinador a motivação da equipa pré e durante os jogos. É aí que considero que surge o protagonista Jesus.

A diferença de qualidade de um e outro treinador dos rivais é enorme. As explicações esfarrapadas de lesões de jogadores fulcrais não colhem, porque jogámos sem um dos melhores centrocampistas da Europa do futebol, lesionado. A explicação de que Vitória tinha pouco tempo com a equipa também não. Jesus pegou na equipa pouco antes e tal foi a diferença no futebol que ambas transpuseram para o relvado…
Enquanto do nosso lado sempre houve um plano, um fio de jogo, a certeza que, a continuar como estávamos a jogar, mais cedo ou mais tarde ganhávamos o jogo, os rivais colocaram as fichas em algo de intangível, numa sorte, num Mitroglou, um piparote para a frente.

Foi 1-0, mas poderia ser, com a maior das naturalidades 2-0, 3-1, etc.

Mas inacreditavelmente, Jesus também foi protagonista ao proferir as famosas declarações antes do jogo, acerca da maneira de jogar do adversário e do “cérebro” já lá não estar.
Confesso que tais declarações me caíram mal na altura, na minha opinião, bazófia desnecessária, na minha visão limitada de adepto de futebol.
Ou por não acreditar que Rui Vitória fosse tão patinho ao ponto de se deixar cair nelas.
Mas assim que vi o onze inicial do adversário, fui a correr meter um chapéu de mexicano que tenho aqui no quarto, para o poder tirar ao Jesus. Mindgame ao nível do de um Mourinho.
O único ás de trunfo que Rui Vitória poderia colocar na mesa, as mecanizações que transitariam de 5 anos de uma equipa a jogar junta, descartadas por um terno jogado pelo nosso treinador na antevisão ao jogo. Brilhante!

Desta vez, nem os arrogantes adversários se atrevem a colocar em causa o domínio sportinguista durante todo o jogo e a justeza da vitória. Bom, excepto aquele “leão marinho” (ahahah!) chamado Pedro Guerra que jura que viu duas penalidades por assinalar a favor do Benfica e que ficou com dúvidas na jogada na qual vimos um golo limpo anulado a nosso favor.

Uma outra preciosidade que escutei pré-jogo foi de que a pré-temporada encarnada, disputada em países americanos de elevadas temperaturas lhes dariam vantagem sobre nós. Jogadores portugueses. Pouco habituados a jogar no calor…português. Juro que é verdade. Foi o simpático José “Carneiro Amigo” Nunes minutos antes do apito inicial.

Aquilo a que assistimos nestes dias é à máquina de propaganda encarnada, aziada, a debitar imbecilidades de uma cartilha oficial. Eu juro que gosto de os ouvir, por dois motivos.
Primeiro, porque lhes ganhámos.
E em segundo, porque este ambiente de “todos contra nós” é algo que costuma agremiar jogadores, equipa técnica e directiva e adeptos, em torno do clube, dos objectivos, e que costuma prenunciar um campeão.

Façamos-lhes, pois, a vontade. Aproveitemos mais este planeta alinhado que é a propaganda oca direccionada a nós e sejamos campeões este ano.

P.S.: não posso, no entanto, deixar de mencionar o que considero um momento infeliz, o da altercação com Jonas. Bem sei que no calor do momento, muito separa derrotados e vencedores. Que nuns há azia a transbordar e noutros ego insuflado. Mas que Jesus se capacite que os rivais vão pegar onde puderem, que o sistema não está do nosso lado. Que para além de termos que marcar 2 golos limpos para o placard assinalar 1-0, “eles” o vão castigar em meia oportunidade. E o que todos vimos no relvado do estádio Algarve, foi um pouco mais do dobro do que eles precisam. Alerta, Jesus!