pa

Um Leão nunca está só!

por 1 de Junho de 2015À saída do estádio, Hoje é a tua vez0 Comentários

Ontem acordei sabendo que era um dia muito importante. E por isso, nos dias que antecederam a final, já tinha dito a minha namorada para que no Domingo, ao almoço, não houvesse qualquer tipo de planos familiares. Infelizmente, neste momento, encontro-me a trabalhar ao fim-de-semana, e muitas vezes ao Domingo, à hora de almoço, é a altura em que aproveito para ver a família que tão bem me acolheu neste país. Mas ontem foi diferente…

Sozinhos aqui em casa, ligo o livestream qualquer coisa como uma hora antes do jogo. Sabendo que tinha de ir trabalhar, visto-me com uma t-shirt verde, sem alusão ao meu clube do coração, e umas sapatilhas todas pretas, já antes tinha tomado o pequeno-almoço e terminado todos os passos posteriores ao despertar, sempre a cantar e muito confiante que, desta vez, a taça seria nossa.

Chega a hora do jogo e não podia estar sentado tais eram os nervos, misturados com excitação e a vontade que tinha de estar lá, com os meus amigos num Jamor verde-e-branco, a apoiar um dos amores da minha vida, num momento crucial para a vida do clube, onde vencer era imperativo. Começa o jogo e eu andava de um lado para o outro sem tirar os olhos do ecrã, até que Nani tira aquela bomba e eu pulo, exclamando por aquele que era o fecho sonhado da tua trajectória… Tudo o que veio depois, foi pura impotência e frustração. Um árbitro que condicionou e muito o Sporting Clube de Portugal: Três frutas de seguida ao William e nada, uma carga de ombro tornada penalty e um vermelho directo aos 14 minutos quando Cedric vai a disputar a bola lado-a-lado com o jogador do Braga. Que Éder falhasse, gritava eu. Não falhou. Foi bem marcado. Uns minutos mais adiante, mais um pau ao mágico 77, após uma cuecada elegante e cheia de classe, e nada! Esta arbitragem estava encomendada pelos amigos do sistema, como nós infelizmente já nos habituámos. Segundos depois, ficava literalmente congelado perante a displicência de Miguel Lopes até que a bola entra para o 0-2 e pontapeio com raiva o saco de roupa suja que tinha de levar a lavandaria. “Não posso acreditar, não pode ser”, entre outro tipo de linguagem menos própria, enquanto a minha namorada me perguntava o que se estava a passar. O relógio não parava e isto estava negro!

Chegam os 70 minutos, e eu estava com uma ansiedade tremenda. No fundo, tinha a esperança de que era possível, como já havíamos demonstrado na Alemanha e em tantos outros jogos que recuperamos com dez, mas tinha que ir trabalhar… Por causa dos nervos não quis ir a conduzir e decidi ir a pé para apanhar um pouco de ar. Chego ao meu local de trabalho as 15h, e ligo o livestream de novo, estava 2-2. “Foi feita justiça, c****!”, pensei em voz alta. O Braga, que só queria pontapé para a frente mesmo a jogar com mais um, num campo que mais parece uma “selva” a fazer lembrar os “arbustos” da América do Sul, tinha cedido à alma do Leão, ao querer, a insistência, a raça e ao acreditar daqueles que ontem foram uns autênticos justiceiros, com todo o apoio de uns milhões, dentro e fora de Portugal porque o Sporting é um Clube do Mundo.

Íamos a prolongamento e aviso a minha namorada. Termina o prolongamento e aviso-a de novo por whatsapp que íamos a penalties. Tínhamos de ganhar! O nosso estado anímico depois do empate, era a alavanca que nos tornava invencíveis e que iria fazer com que o nosso capitão fosse ter o momento que já há muito merecia.

Ela pergunta em que site estava a ver pois estava contagiada e queria acompanhar este momento, emocionada por mim que lhe dizia: “Qué remontada, increíble! Esto es el Sporting!

Penalties. No mesmo momento, chegam uns hospedes, para o check-in, e eu perguntava-me a mim mesmo: “tinham mesmo de chegar agora?!”. Explico-lhes o que se estava a passar, que estava nervoso e que a minha destreza para línguas estrangeiras naquele momento era péssima (nada melhor que sinceridade), e eles, com a melhor onda, compreenderam. Disse-lhes que era do Sporting e eles disseram que também o eram por causa do Cristiano Ronaldo. E ficámos os três parados em frente ao computador a ver aquilo. “Um português eufórico e dois ingleses sorridentes” foi o resultado. Ao mesmo tempo recebia mensagens da minha namorada pelo whatsapp que diziam: “Ruiiiiiiiii Patricioooooooo!”. De seguida fiz questão de avisar o meu sobrinho que o Sporting Clube de Portugal tinha ganho, ele que sabe tudo de bola e que já com os seus 7 anos vibra com as vitórias leoninas!

Muitos parabéns a todos, desde jogadores aos adeptos, vocês são um orgulho! Que saboroso! Ganhámos com justiça, nunca deixámos de acreditar, mesmo jogando com 10 mais de 100 minutos, num relvado pesado onde a força de toda a nação Sportinguista foi fulcral para este final feliz. Depois de provocações e gozos de lampiões e morcões, que tiveram de engolir os sapos, mas já é normal que festejem antes da festa. Sem #apitodourado, #mantoprotector, #fruta, #colinho ou #gazprom, ficou demonstrado que o Sporting é um clube que orgulha qualquer adepto que gosta de desporto e é um clube que prima pelo respeito e jogo limpo. Há ainda que dar ênfase a esse ponto, pois quando dizem que na Argentina existe uma paixão sem fim pelo futebol, como se não houvesse outros desportos à face da terra, nem mesmo em relação a esse, vi alguém que vivesse o clube como eu o faço. Posso ser um leão solitário num país sem portugueses, mas sou com certeza um leão com a garra dos 40.000.000 de argentinos!

A única certeza que vos dou é que não existe aqui, nem em qualquer outro lugar, paixão e loucura que se equipare à nossa pelo grande e inigualável Sporting Clube de Portugal. Porque um amor assim só vem uma vez na vida!

SAUDAÇÕES LEONINAS E VIVA O NOSSO SPORTING!

João Pedro Martins – sócio número 93661