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Princípios leoninos

por 9 de Junho de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Em primeiro lugar, o orgulho que sinto em dar os parabéns à maioria sportinguista pela maneira como reagiu à saída de Marco Silva. Mostra que somos, a generalidade, gente bem formada, com princípios dos quais não abdicamos. Para nós, um trabalhador, e não apenas um que apresentou resultados sob a forma de uma Taça de Portugal, mas qualquer funcionário que tenha estado ao serviço do Sporting Clube de Portugal ou qualquer instituição, merece mais do que um sumário chuto no traseiro. Lá está, são princípios. Talvez daqueles que os nossos pais ou avós nos ensinaram, talvez os mesmos que nos tenham passado o amor a este clube.

Aqui, nesta multidão verde e branca com ideais não posso incluir os “notáveis” ex-presidentes e dirigentes que têm debitado verbo a quem quer que lhes tenha colocado um microfone à frente do nariz. Não. A preocupação deles nunca foi o Sporting. Cada declaração deles neste momento é ataque à pessoa do presidente que encomendou uma auditoria que nos permitirá esclarecer todas as dúvidas acerca do real amor ao clube e à forma como realmente o serviram no decurso dos seus mandatos. E eles estão obviamente perturbados. Apenas aproveitaram este momento para lançar ataques veementes e pessoais a uma única pessoa, mais que interessados em defender Marco Silva. Podemos afirmar isto, porque não escutei nenhum deles a parabenizar o jovem técnico pela conquista da Taça de Portugal. Nesse momento, tal poderia ser conotado como um elogio à direcção. Aliás, tivesse o resultado terminado em 0-2 e tenho a certeza que muitas garrafas de champanhe se abririam nas mesas destes que falamos. Irónico…

Porém, o que elogiei no primeiro parágrafo são os princípios. Depois, há que analisar os factos. Já todos tínhamos notado no ar o mal-estar da direcção com Marco Silva. Já desde Dezembro que a comunicação social desportiva nos tinha feito notar que algo de grave se teria passado. A direcção do Sporting Clube de Portugal entendeu neste fim de época, finalmente, colocar um ponto final na colaboração com o jovem técnico apresentando-lhe uma nota de culpa bem recheada, onde são descritos vários casos que, a provarem-se, demonstram que Marco Silva nunca foi técnico do Sporting Clube de Portugal, mas sim ao serviço de interesses obscuros, inclusivé do seu próprio, que em pouco coincidiram com os do clube. E nós podemos ser adeptos de um clube especial, gente de princípios dos quais não abdicamos, mas não podemos ser anjinhos. Em vez de apontar uma falta com a indumentária obrigatória envergada um qualquer dia de jogo, como ridicularizam alguns, eu prefiro destacar reuniões às escondidas com um presidente rival corrupto que foi o que mais nos prejudicou nas ultimas décadas. Seria para a saída de alguma maçã podre?

Veremos o que se prova, de que lado está a verdade, e quem ficará mal visto quando o caso terminar.

E a entrada de Jorge Jesus. Confesso que até ser anunciado oficialmente nunca acreditei que fosse real, mas apenas uma jogada mediática ao fim da qual o treinador permaneceria no mesmo clube e tal fosse apresentado como derrota do Sporting, prova de amor ao Benfica, e um devaneio irrealista de Bruno de Carvalho. Só que o presidente leonino trocou-me as voltas. A mim e a toda a gente. Ousou, atrevido e intrépido. E porfiou. Roubou um técnico bi-campeão ao rival, ou quiçá a ambos rivais. É a terceira vez em tantas épocas que rouba o técnico da moda nos narizes dos rivais. O riso do Rui Gomes da Silva quando lhe perguntaram se era possível é a caricatura da sobranceria encarnada perante o grande Sporting e terá sido o riso que Luís Filipe Vieira fez quando o agora técnico leonino lhe falou dessa possibilidade. É na sobranceria que inicia a derrota encarnada neste caso.

Claro que agora há uma campanha instalada. Se há coisa que os rivais controlam é os meios de comunicação. Para além do jornal A Bola, autêntico jornal do Benfica, o Record fica a 50 metros do estádio da Luz, num edifício arrendado pelo clube à Cofina, grupo ao qual pertence esse jornal, bem como o Correio da Manhã, entre outros e grupo com o qual o Benfica têm bastantes negócios.
E essa parceria tem sido bem utilizada e não apenas no tempo de antena dado aos visados pela Auditoria. Segundo eles todos os dias o Sporting tem tentado roubar profissionais do estádio da Luz, que dão “corajosas” negas ao Bruno de Carvalho, sejam técnicos, jogadores, etc. Não sei o que é que faríamos com um Maxi, que já temos o Paulinho que é mais afável. Nem com um Cardozo, que tão bem se dá com o técnico Jorge Jesus. Ou o Coentrão… Mas preparem-se que os spin-doctors vão andar aí a dar música.

Da campanha faz parte, também, a preocupação dos rivais com as contas verde e brancas. O presidente já veio acalmar os mais nervosos, que não é capital Angolano, Guineense, que não há perigo de perdermos a maioria na SAD, e o que é facto é que não é no nosso clube que directores financeiros se demitem. E que estamos a valorizar em bolsa, valendo neste momento mais que os rivais que se sobranceiramente se apregoam o maior de Portugal.

Das valias do técnico que entra, depende, recordo-me de um campeonato ganho pelos dali do lado cheio de goleadas. Se for este técnico que venha, tudo bem. Se for o que baqueou e ajoelhou, dispenso. Anteontem estive a ver a ultima entrevista dada pelo próprio ao canal A Bola TV (será que continuam a elogiar como o fizeram?) e tenho a apontar o discurso, rico de ideias, mas tão pobre na semântica e na sintaxe… Para mim, neste aspecto, vai ser uma época longa, mas que no fim, traga o sucesso que o clube precisa e merece.

Esta época, este aliado sportinguista da foto vai substituir o presidente que tantas batalhas trava sozinho, nas que ficam mais perto do relvado. Para já, que tenha um princípio leonino e levante já a Supertaça.