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O que esperar de Jesus?

por 6 de Junho de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Começo por confessar que nunca esperei ligar o computador para escrever um artigo sobre Jorge Jesus na condição de treinador do Sporting Clube de Portugal. Como amante de futebol desde tenra idade, sei que, nesta coisa, tudo pode acontece. Mas essa é também uma das belezas do desporto rei: A constante incerteza do minuto seguinte.

Estaria a mentir se dissesse que, quando a transferência começou a ser noticiada um pouco por todo o lado, recebi a noticia de braços abertos e com um enorme sorriso na cara. Não foi de todo esse o caso. Sempre defendi a continuidade de Marco Silva no Sporting, e apesar de conhecer as limitações do nosso ex-treinador, acreditei que seria a pessoa ideal para comandar as tropas durante as próximas três temporadas. Não me recordo de outro treinador, num passado recente, com o qual tenha simpatizado tanto, e não me refiro apenas às qualidades futebolísticas, falo também da sua postura, da sua inteligência e da sua personalidade.

É bom que fique desde já bem claro que nunca coloquei em questão a qualidade do Marco como treinador. Estaria a ser muito injusto se pintasse o quadro dessa forma, porém, temos de ter a noção de que a inexperiência e ingenuidade do nosso ex-técnico, são características que não fazem parte do currículo do nosso novo treinador. E estes dois aspectos que referi anteriormente, podem muito bem ter sido decisivos no desenrolar da última temporada e na forma como não conseguimos levar a luta pelo título até uma fase mais avançada. A juntar a isto, de sublinhar também alguma falta de atitude do Marco (tema que debati vezes sem conta) em alguns momentos chave, onde talvez se exigisse maior pulso para segurar as pontas e apertar os calos dos jogadores. Não quero que pensem que agora que ele se foi embora, me lembrei de vir apontar o dedo e criticar tudo e mais alguma coisa. Aquilo que estou a escrever hoje, foi falado sempre no decorrer da época transata. Mas mesmo com estas falhas identificadas, que certamente serão corrigidas com o passar dos anos e com um aumentar da experiência, consegui admirar e gostar de Marco Silva.

Ainda há uns dias, em conversa com um grande amigo de sangue verde, afirmei que a conquista da Taça de Portugal seria o início de uma nova era. Depois de confirmada a mudança de treinador, fico 100% convencido de que estamos perante o início de uma nova etapa na nossa história. Com a contratação de Jorge Jesus, Bruno de Carvalho mostra que o Sporting está bem vivo, que tem capacidades para disputar ombro a ombro com os rivais pelo título de campeão português. Fomos buscar, ao nosso maior rival, um dos homens que melhor conhece o nosso futebol, uma velha raposa que sabe de cor todos os truques e manhas que vêm nos livros, e para além disso, tem um enorme conhecimento táctico. Tem também o dom de construir e adaptar jogadores, característica essa que me deixa muito optimista quanto ao desenvolvimento de muitos dos jovens jogadores que temos à nossa disposição, quer na equipa principal quer na equipa B.

É óbvio que nada disto é sinónimo de termos o título de campeão garantido, é necessário muito esforço e trabalho para atingir esse sonho, no entanto, sinto que com mais dois ou três reforços, ficaremos mais perto desse tão desejado objectivo. Vai custar a habituar-me ver alguém no banco a dizer calinadas atrás de calinadas, alguém com quem fiz milhares de piadas por esse mesmo motivo, mas a verdade é que não é preciso tirar nota 20 a português para ser um grande treinador de futebol, e Jorge Jesus é um exemplo vivo disso mesmo.

Ao novo mister, peço que dê tudo pelo Sporting, peço que lute até à exaustão pelas cores que também são as do seu coração e que nunca deixe ficar mal o Leão rampante. Conto com o seu profissionalismo, com o seu carácter, com a sua sede de vitórias, mas conto acima de tudo com a sua vontade de continuar a ser o treinador campeão português. Desejo-lhe a melhor das sortes e desejo que as próximas três temporadas sejam repletas de conquistas.

Força Chiclas!