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(Ir)realidades

por 23 de Junho de 2015O Sporting lá fora, Os textos do Damas0 Comentários

Quase esquecida uma história bem recente, na qual o Sporting se viu a crédito com supostas falências e até uma descida de divisão, jamais nos passaria pela cabeça pensar novamente em manter as nalgas apertadas por tal cenário nos voltar a assombrar. Uma realidade na qual não constasse o presidente actual poderia trazer poucas, mas possíveis hipóteses, de nos encontrarmos em melhores condições, contudo, as odds escolheriam sempre mãos de manteiga que não tivessem firmeza para segurar o outrora delicado Sporting de porcelana.

Estranho ou não, muitas pessoas que nos representaram falam agora como resposta a ataques pessoais por parte de Bruno de Carvalho, quer seja em boa ou em má hora. Servem-se do nome do Sporting Clube de Portugal porque acreditam que esse mesmo nome foi lacrado nos punhais que tentam arrancar das costas nos dias de hoje. É um vale tudo na hora de defender o cabedal e, tal como camaleões, assumem a cor que mais lhes convém para poderem fugir da ira do suposto predador. Resta pois saber que nem toda a gente se preocupou em fazer uma auditoria quando todos andámos com um calhau às costas. Talvez por não ser indispensável… ou talvez por ser dispensável mesmo!

Escolheria qualquer adepto para ser presidente do Sporting por um dia. Não existiria ninguém que conseguisse agradar a todas as pessoas fazendo o mais correcto, nem mesmo eu pensando sobre essa hipótese. Então porque se há de falar de unanimidade na actual direcção?

Há dezenas de opiniões em milhões de pensamentos. Fazemos o que ninguém faz para termos o que ninguém tem. Somos o clube mais eclético em termos de modalidades e o mais formador de bolas de ouro no mundo inteiro em termos futebolísticos. Manter a chama verde e branca para o dia de amanhã, irá fazer com que não passem apenas de recordações, mas sim, visões, missões e valores.

É com enorme tristeza que li a notícia sobre um clube que, há uns anos, colocava em sentido qualquer equipa adversária, tendo encabeçado nomes como Taffarel, Zola, Hernan Crespo, Thuram ou Stoichkov. O Parma rompeu a última das cordas que o ligava ao mais alto patamar profissional, além de ter ficado no último lugar da Série A italiana, ainda se viu obrigado a descer ao 4º. escalão por causa das dívidas. Uma insolvência há algum tempo anunciada mas moribundamente atrasada por constantes soluções de último recurso até esta machadada final que deverá servir de exemplo ao planeta inteiro. Há uma década o esqueleto financeiro morreu juntamente com a Parmalat, o seu principal investidor, e desde aí que se tem auto-gerido de forma quase suficiente até morrer de pé, ainda invocado pelos próprios adeptos.

Se desse para voltar atrás com algumas decisões, o Parma poderia estar vivo e de boa saúde. Podem existir agora, mas já não há tempo. Nunca pensaria ver o meu clube nesta situação simplesmente por o coração não aguentar mas o cérebro sempre teve a noção do perigo. Houve tempo para remediar algumas coisas, ainda bem para nós… ainda mal para eles!

O Jorge Jesus não vem para o Sporting para perder a pressão de ganhar o campeonato. O Sporting não contratou um treinador campeão apenas para tranquilizar os adeptos que acham que há muito tempo que não somos imperadores de nós mesmos. Há que valorizar jogadores e instituições tal como a história de Mandzukic que escolheu o terceiro clube consecutivo que perdeu a final da Champions. De clichés andam os jornalecos empanturrados, assim como os esqueletos de reis que ainda dão entrevistas a falar que com eles a comandar o barco, já tínhamos o desporto aos nossos pés. Nessa mesma altura, em Parma, faltaram-se a jogos fora por não haver verbas, os computadores foram penhorados, os jogadores levavam medicamentos e papel higiénico de casa e os escalões mais novos não tinham água quente para tomar banho.

Falem pelo vosso amor ao clube e a vós mesmos, mas por amor de Deus, façam-no com a merda da cabeça!