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Falar à capitão!

por 24 de Junho de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Adrien Silva é hoje um dos maiores símbolos do plantel do Sporting e um dos jogadores mais influentes no futebol da equipa. Penso que isto é um facto incontornável e com qual 90% dos sportinguistas estará plenamente de acordo. E digo apenas 90% porque recentemente tenho lido algumas opiniões menos favoráveis sobre o número 23, de adeptos que até ficariam satisfeitos com uma possível venda a rondar os 12 milhões de euros (hipotética oferta do Mónaco que foi noticiada pelo rascord), visto este não ser um jogador com muita influência na equipa, ou pelo menos, não com tanta quanto muitos adeptos reclamam ter. Devo dizer que discordo completamente deste ponto de vista e acho até um absurdo que se coloque tal coisa em causa, tão absurdo como a proposta de 12 milhões dos monegascos. Porém, tento sempre respeitar a opinião de cada um, assim como gosto que respeitem a minha.

Além das inquestionáveis qualidades como futebolista e de toda a arte e magia com que toca na bola, Adrien é também um ser humano dotado de grande carácter e de uma personalidade forte. Alguém que esteve sempre habituado a falar pelo grupo e a envergar a braçadeira de capitão, como de resto fez sempre nos vários escalões até chegar à equipa principal. Depois de lermos a entrevista feita pelo Maisfutebol ao médio leonino, concluímos que se trata de um grande sportinguista a falar, de alguém extremamente profissional e que demonstra um enorme respeito, tanto pela camisola que veste, como pela instituição que representa. Foi um verdadeiro senhor na hora de escolher as palavras para falar do clube do seu coração.

Na minha opinião, um capitão de equipa deve ser um elemento com boa capacidade de argumentação. Tem de ser alguém que todo o plantel respeite e admire, não só pela qualidade do seu futebol e influência na equipa, mas também por ter o dom da palavra. Ao homem da braçadeira, exige-se que seja um exemplo a seguir por todos. Exige-se que este tenha uma presença constante e interventiva, defendendo ao máximo mas sempre dentro dos limites permitidos pela lei, os interesses do colectivo.  Tudo isto se torna mais difícil de pôr em prática quando este elemento é o guarda-redes da equipa. Nunca pus em causa a importância de Rui Patrício ou as suas capacidades para desempenhar esta função, apenas questiono se a sua posição dentro de campo é a ideal para poder cumprir na plenitude as suas obrigações como líder do grupo. Muito sinceramente, não me parece que seja.

Chegou a hora de refletir profundamente sobre este tópico e equacionar a possibilidade de alterar esta situação. Para muitos, Adrien já é o capitão sem braçadeira, no entanto, isso não lhe confere poder nenhum. Por tudo o que representa e por tudo o que fez pelo Sporting até este momento, seria uma distinção mais do que merecida. Fico a torcer para que Jorge Jesus pense da mesma forma que eu e que veja que isso não só é benéfico para equipa, como é também um enorme acto de justiça.