Foto: Delfim Machado/JN

Filho de um… Pai.

por 18 de Maio de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Isto choca-me. Revolta-me. Mexe comigo. Assusta-me. E o assunto até está relacionado com um Clube que não me diz nada, repito, rigorosamente, nada.

Qual é o objectivo deste texto se o assunto não é Sporting?

Pois bem, o assunto não é verde e branco, mas é pessoal. Podia ter sido o meu pai, o meu avô, o meu primo, o meu tio, o meu afilhado ou o meu filho. E quando é com os nossos… Não há clube, nem rivalidade que faça sentido.

Tenho um afilhado, com 8 meses, que teve o azar de nascer lampião. O Pai do João é doente lá pelo clube da bicharada, é benfiquista ferrenho, é parvo todos os dias, quando o tema é vermelho. No entanto, e mesmo sabendo que sou um Sportinguista de alma e coração, também doente e parvo quando o assunto é verde, escolheu-me para ser padrinho de mais um cabeçudo.

E eu, ontem, imaginei-o ali. A apanhar forte e feio, porque terá dito ao policia para ir apanhar no sítio onde o sol não brilha, ou por ter chamado a mãe de “senhora Doutora”. Não é que ache isso correcto, mas no dia em que a polícia decidir distribuir cacetada por ofensas verbais, o mundo do futebol regressará ao tempo dos gladiadores.

Não são hooligans, não são ultras, não são casuals, não são escumalha. Esta podia ser a tua família. Podias ter sido tu o pai, e ao veres o teu filho em apuros, terás desligado automaticamente o sensor da racionalidade. Mas é precisamente para este tipo de casos, que os agentes da autoridade que formam o corpo de intervenção, são treinados e preparados psicologicamente. Não chega ser um massa bruta, ter uns músculos grandes e um bastão com total liberdade para ser usado, também é necessário não ter uma cabeça oca.

O “bófia” que batia em tudo o que mexia (neste caso: avô, pai e dois filhos com 7 e 12 anos respectivamente) não é um agente da autoridade. É um parvo com um cassetete na mão, sem capacidades mentais para desempenhar as suas funções. Se são todos iguais? Claro que não. A imagem fala por sí.

Da mesma forma que há adeptos que não trazem nada de positivo ao futebol, e que merecem, por vezes, intervenções mais rígidas, há também os policias que deviam despir o uniforme, levar dois pares de estalos, e ir procurar um novo trabalho. Talvez como segurança no Cais do Sodré. Assim sentir-me-ei mais seguro, no dia em que for com o meu filho, ou quem sabe com o meu afilhado, “à bola” ao domingo à tarde.

 

(Foto: Delfim Machado/JN)