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Nani: Como os Melhores da Europa.

por 22 de Abril de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Não gosto de despedidas. Não gosto porque, geralmente, é sempre algo que nos entristece ou nos vai deixar com saudades. E a saudade, palavra que só existe na língua de Camões, não mata mas mói. Faz-nos recordar um passado que foi bom, excelente, mas, simultaneamente, a percepção de que ao estarmos a ser consumidos por esse sentimento, é porque a realidade mudou. No caso do Sporting, a realidade ainda vai mudar.

Sem contemplações, nem adornos circunstanciais, sabíamos de antemão que seriam apenas 12 meses de verde e branca vestida. O Sporting recebeu-o de braços abertos e de sorriso rasgado, tal como os adeptos. A notícia do regresso de Nani a casa, foi, primeiramente, encarada com uma certa desconfiança, mas após o Presidente ter confirmado que “estavam a tentar”, o sonho ganhou asas e, num ápice, o Aeroporto da Portela tornou-se um caldeirão de emoções.

Nani, sem ainda ter tocado uma vez na bola, devolveu o orgulho, o sonho, o desejo, o respeito, a vontade em ser tão grande como os melhores da Europa. Na sua mala de viagem, trouxe a experiência, a qualidade e o traquejo internacional que faltava à equipa. Vestiu a camisola 77 de cabeça erguida, sempre com a vontade de mostrar ao mundo que, aquele menino a quem Alex Fergunson proibiu de fazer mortais nos golos do Manchester United, não estava a dar um passo atrás.

E Nani não desiludiu. Jogou, fintou, marcou golaços, levou a equipa às costas e fez as bancadas rugir bem alto de amor ao Sporting. O impacto, por muito que o apupem, foi de tal ordem profundo que na primeira lesão do jogador em Alvalade, falou-se em “Nani-ó-dependência”. Chegou a pairar o cenário de que, sem o craque, não seriamos mais do que uma turma de rapazes banais. No entretanto, recuperou. Devagar, passo a passo, voltou a ser preponderante na manobra da equipa e o líder quer dentro, quer fora das quatro linhas. A meio do percurso, é assobiado por meia dúzia (Hoje, tinha que falar em meia dúzia) de ariscos. A maioria dos adeptos não compreende como é possível assobiar um jogador como Nani. Segue-se o melhor golo do campeonato, o jogador agradece ao céus e o tribunal de Alvalade assiste a um momento para a posteridade.

Nani, fez-nos pagar quotas, gamebox´s e bilhetes. Sem nunca hesitar. Na minha memória enquanto sócio e adepto, tive o prazer de ver actuar pelo Sporting estrelas de grande classe, como são os casos de: André Cruz, Schmeichel, Balakov, Valckx, Cherbakov, Paulo Sousa, Marco Aurélio, Figo, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa, Jardel, João Pinto, Cristiano Ronaldo. Todos estes, e provavelmente outros que me esqueci de mencionar, fizeram valer os esforços e o dinheiro despendido. Mais importante, valeram títulos, fortaleceram a mística e fizeram crescer o nome da maior potência desportiva de Portugal.

Luís Carlos Almeida da Cunha, ainda nos pode (tenho uma fezada que vai) trazer um título neste seu regresso a casa. Mas, independentemente de querer o sonho colmatado com a cereja no topo do bolo, já existe algo que vai perdurar na minha memoria: O amor ao leão rampante. Mesmo para mim, que sou um dos que grita aos sete ventos que já não existe amor à camisola, eis que surge Nani a meter uma “cueca” nesta minha forma de ver o jogador mod€rno.
Não seriam nem dois, nem três, nem quatro, os Clubes interessados em poder contar com Nani. E estou a referir-me a equipas de topo dos principais campeonatos europeus. Ainda assim, Nani escolheu o Sporting, porque sabia que ia sentir-se bem. E nós, adeptos, temos que te fazer uma vénia, por respeito, por admiração e por consideração.

Obrigado, Nani! Pelos golos, assistências e incentivos. Pela a moral, gratidão e humildade. Por o profissionalismo, empenho e as grandes nózadas. Pela classe, magia e a música que fazias tocar nas bancadas do meu estádio. Bem sei que ainda terás mais cinco jogos de leão ao peito, no entanto, e antes que comece a bater a nostalgia da saudade, deixo aqui a realidade que proporcionaste a um Sportinguista durante os 12 meses com a camisola mais bonita do mundo. Aquela que te fez sentir feliz por estares perto da família e junto ao Sporting Clube de Portugal.