Taça CERS - Hóquei em Patins - Sporting

Conquistas europeias

por 27 de Abril de 2015Hoje é a tua vez0 Comentários

Comecei a praticar hóquei patins com 6/7 anos por volta de 91/92 (não consigo precisar) modalidade emblemática do meu Sporting, que vinha de décadas de ouro: 70 e 80. Recordo-me que quando chegava a casa dos meus jogos, das camadas jovens de um clube de Leiria, a primeira coisa que fazia era ir para a minha garagem, com o meu stick e a minha baliza de hóquei improvisada em madeira. Neste espaço, não estava vestido de negro (equipamento do clube), estava de verde e branco, com o leão rampante no peito. Sonhava a jogar de rampante, imaginando um futuro, com conquistas de noites europeias.

Chegados poucos anos (1995), um “visionário” decidiu acabar com a modalidade, ignorando a história do Clube que se confunde com a história da modalidade no país e destruiu o sonho de um jovem um dia jogar de verde e branco. Triste com o facto e gurado o sonho, este jovem passou a envergar as meias verdes e brancas, por baixo do equipamento, em todos os jogos que disputaria futuramente, transpondo a imagem de jogar com o leão rampante, no seu clube local e de formação, como se o hóquei patins no Sporting Clube de Portugal nunca tivesse acabado. Em jogos disputados com históricos do hóquei português, (como o benfica, Óquei de Barcelos entre outros), nos campeonatos nacionais, as meias verdes e brancas, por de baixo do equipamento, ganhavam outro significado e aumentavam a carga emocional. Jogava pelo S.C.L.Marrazes, mas naqueles jogos, o meu coração era Sporting Clube de Portugal e jogava como se de manto sagrado vestido se tratasse.

Todos estes sonhos e imagens vieram ontem de novo à memória, quando vejo Ângelo Girão a defender o ultimo penalty do Reus Deportiu. O meu pêlo de leão eriçou e 24 anos após ter começado a sonhar com estas conquistas europeias de rampante, foi como se eu estivesse na pista daquele pavilhão em plena Catalunha. Podia sentir o cheiro, o calor, a emoção, o cansaço. Podia sentir o Sporting Clube de Portugal, tal como comecei a sentir na minha garagem 24 anos antes, onde o leão participava em partidas e conquistas europeias épicas. No seu primeiro ano de modalidade oficial, após um interregno de muitos anos, o hóquei patins do Sporting Clube de Portugal escreve o seu nome novamente na história, ao conquistar mais um titulo europeu para Portugal e para o Sporting. Passados 31 anos, conquistámos novamente um titulo europeu, onde nos fez novamente sonhar com conquistas como as de 1977, onde se tornou o primeiro Clube português a conquistar a Taça dos Campeões Europeus.

Esta “equipa maravilha” merece todo o nosso apoio, e mesmo não tendo o talento e magia como a “Equipa maravilha do hóquei patins”, onde o Sporting ganhou tudo o que havia para ganhar, conquistando um tetra no campeonato nacional entre 1974 e 1978 e uma Taça dos Campeões Europeus em 1977, estes leões compensam com garra, com luta, com alma. Quem vê os jogos do Sporting sente isso, sente a carga emocional de representar a verde e branca, a carga emocional de quem herdou as camisolas do Sobrinho, Livramento, Chana, Jorge Garrido, Carlos Alberto, Carmelino, Ramalhete e Rendeiro.

Após esta grande conquista, espera-nos lutar e ambicionar por mais e melhor. Resta-nos lutar pelo terceiro lugar no campeonato nacional e lutar pela final, na final four da Taça de Portugal, onde o leão irá em busca de mais um titulo. Não se avizinha uma conquista fácil, mas nós somos o Sporting, nós somos o Clube de Portugal, nós somos a história do hóquei patins português e mundial.

João Ferreira, sócio nº 106 075