me

Os bichos da Madeira

por 6 de Março de 2015À saída do estádio0 Comentários

Há duas visões que podemos optar por ter numa análise objectiva ao Nacional – Sporting nesta primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Aquela de que já lá vão três jogos sem o sabor da vitória, e a outra de que, dadas as circunstâncias da partida, a resposta à crítica generalizada foi feita com tanto de justiça como de suor.

O nome de Patrício vai fazer parte do vocabulário de quem gosta de usar a expressão “outra vez”, mas que atire a primeira pedra quem viu os 90 minutos e o crussifique alienando as fantásticas tiradas em momentos chave do ataque do conjunto madeirense. O Sr. Marrazes conhece o futebol português com muito mais detalhe do que qualquer outro guardião a atuar ao mais alto nível por cá. Se já não é o melhor por injustos lances pontuais então, na minha sincera opinião, merece jogar com luvas em ouro pelas exibições destacadas desde que se estreou pelo plantel principal leonino. Se ao longo dos bons e maus momentos, os sportinguistas, nos últimos anos, fizerem as contas, há muitos pontos conseguidos que lhe devem um OBRIGADO sincero.

Ainda vejo lances de voos que, dada a sua espetacularidade, arrancam cartões em qualquer parte do campo. Se uma loira sobressai no meio de uma centena de morenas ou ruivas (e vice versa), ver o Tiago Rodrigues a saltar como se o diabo o quisesse puxar para dentro da relva também faz com que toda a gente assine uma petição para que o Miguel Lopes leve o segundo amarelo. O lateral já levava uma nota de culpa desde a meia hora de jogo, pois levava o coração na bota numa tentativa de parar o ataque nacionalista mas este complemento para castigo máximo, além de exagerado, poderia colocar em xeque as nossas ambições numa altura em que nos encontrávamos em desvantagem no resultado. Miguel deixou claro no Instagram: “Eu só baixo a cabeça para beijar o símbolo deste clube! Contra tudo e contra todos nós vamos conseguir o nosso objectivo! SCP SEMPRE!!”.

Marco Silva repensou a substituição programada por esta altura e o prémio do empate soube a vitória. Na primeira parte deu mais Nacional, na segunda foi quase ela por ela. A vertente positiva é começar em vantagem na segunda mão pois dois golos fora é um excelente resultado. A final está bem perto! Falta só mesmo encher o estádio na derradeira fase. Para o Tobias, o golo foi mais uma fatia de confiança e de charme para o futuro risonho. O Carlos também marcou, o que o torna novamente como uma peça a morder os calos aos titulares. O André esteve paupérrimo face ao que prometeu na pré-época embora saibamos que é um jogador de grande qualidade. E o Jefferson… qual castigo?!

Mas afinal o que falta? Porque é que estamos novamente a desvanecer a euforia a meio da época? O campeonato está fera para estes lados, a Liga Europa fechou portas de maneira quase ingrata, a taça da Liga tem o nome do vencedor escrito desde o ano passado e apenas a Taça de Portugal nos poderá dar uma saída em grande no final da época desportiva. É motivo para meter as mãos nos bolsos e assobiar? Vigorosamente NÃO!

Temos um gigante ego. É por isso. Se estivermos numa cama do hospital e o médico que nos for operar nos disser que não é o melhor do sítio não queremos que ele nos toque. Queremos o melhor porque ninguém sai vencedor só pela modéstia. Somos os melhores e queremos lá saber se os outros defesas têm mais caparro ou se os avançados têm mais técnica ou velocidade. No desporto ganha-se com técnica, tática e atitude. Se não fossem necessários estes 3 ingredientes seria de um qualquer outro emblema mas como sou o melhor, o que grita mais alto e o que se dedica mais a estas cores como adepto, até morrer serei sportinguista. Nos bons e nos maus momentos!