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No Sporting, não há espaço para a critica?

por 20 de Fevereiro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Maldita a hora em que começou a CAN, para o magrebino estar presente na competição, o Sporting foi forçado a perder uma peça indispensável do plantel.  Como se não fosse suficiente a falta que ele nos fez em todos os jogos que disputámos enquanto a Argélia esteve em prova, ainda chegou impossibilitado, devido a lesão, de dar o seu contributo em desafios importantíssimos como o derby contra o eterno rival e a primeira mão dos 16-avos-de-final da Liga Europa.

Mesmo com algum peso na consciência (e porque sou sportinguista acima de qualquer coisa), festejei de forma efusiva a derrota da Argélia frente à Costa do Marfim, contudo, esse acontecimento não se revelou ser suficiente para termos de volta Super Slim. E que falta ele nos tem feito. Numa altura em que as competições estão a entrar numa fase decisiva e nas quais precisávamos de estar na máxima força, os ventos não têm soprado a nosso favor e, a sorte, também não tem andado de mãos dadas com a turma de Alvalade.

A lesão de Slimani tem condicionado e de que maneira o rendimento da equipa. Nomeadamente nos jogos mais difíceis de desbloquear e para os quais tentamos encontrar solução em repetidos cruzamentos para a grande área, sem que nela esteja uma verdadeira referência no jogo aéreo. Ainda hoje estou convencido de que, no derby contra o carnide, a presença de Slimani teria aumentado consideravelmente as probabilidades de vencermos o jogo. Claro que é sempre arriscado fazer uma afirmação destas, mas dado o número exorbitante de cruzamentos que fizemos para a grande área adversária, penso que é legitimo considerar que a sua presença poderia muito bem ter feito toda a diferença. O mesmo digo quando me lembro da oportunidade desperdiçada por João Mário na segunda parte frente ao Wolfsburg. E que jeito nos tinha dado aquele golo...

A juntar ao caso do argelino, temos o baixo rendimento de Nani, que depois de recuperar da lesão que o afastou durante algumas semanas dos relvados, não mais voltou a ser aquele jogador influente e decisivo a que nos tinha habituado. No Restelo, o número 77 terá realizado, muito provavelmente, a pior exibição da época. Ontem, e a jogar na Europa, também não foi capaz de demonstrar o seu verdadeiro valor e ser a mais valia que a equipa leonina necessita e tem necessitado.

E já que estamos a falar em baixo rendimento, também aproveito para partilhar convosco a minha tristeza. Carrillo (craque que tanto defendi ao longo dos textos que escrevo), nos últimos três jogos, andou desaparecido em campo. A Culebra, que durante várias semanas nos presenteou com inúmeras exibições de encher o olho, parece ter hibernado, deixando um sentimento de saudade em todos os adeptos sportinguistas. Num momento em que a equipa parece ter finalmente encontrado um maior equilíbrio defensivo, com a dupla Tobias e Oliveira a ganhar cada vez mais pulso e calo, ( Sim, porque há muito Sportinguista a pensar que estes dois miúdos não falham) o nosso problema passou a ser a desinspiração ofensiva e falta de criatividade.

No jogo de ontem, voltámos a perder.  Voltámos a falhar golos de baliza aberta, voltámos aos problemas de concentração, e até voltámos a ser roubados na Alemanha... No plano individual, o lateral esquerdo Jeffreson, esteve muito desinspirado, Montero, sempre muito macio na disputa da bola, esteve bastante desacompanhado, e por muito que Rossel tenha cumprido, William é William. No entanto, a derrota justifica-se por muitas outras razões que nada estão relacionadas com a presença do espanhol no 11 titular. Não foi por aí que o Sporting falhou. Ainda dentro deste rol de criticas é necessário apontar o dedo a Marco Silva. Após o primeiro golo ( patética a forma como um "pudão" com 2 metros consegue enganar duas vezes Adrien) foi notório para toda a gente que a equipa abanou. Quer dizer, toda a gente não. Marco Silva não corrigiu, não foi capaz de serenar a equipa, arrastando as substituições para depois do segundo golo da equipa da casa. Não se trata de uma situação isolada, nem referida pela primeira vez, aqui n´As Redes do Damas.

Criticar, num clube como o Sporting, nunca pode ser encarado com um acto estapafúrdio. Estamos aqui, todos no mesmo barco, para o que leão rampante consiga conquistar o mundo, mas não podemos crescer, nem evoluir, se não estamos dispostos a aceitar criticas. E tu perguntas-me: " Mas agora é tudo mau? São todos uns bananas? O Marco Silva é um tanso? A resposta é um contundente não.

No Sporting o que me dá prazer é ver atletas e homens como Rui Patrício. Falha, algumas vezes, como falham todos os guarda-redes no futebol, mas defende como poucos no mundo. Ontem, no Volkswagen Arena, foi um digno sucessor de Azevedo e Vítor Damas. Foi ele contra o mundo. Defendeu uma, duas e três bolas para golo. Levantou-se de cabeça erguida e mostrou-se à Europa. São homens com esta fibra, com este carácter que nos tornam mais fortes. Que esta equipa veja em Rui Patrício, a sua capacidade de superação face às adversidades, e que o sigam como pessoa e como capitão de equipa.

A luta tem de continuar e nós estamos aqui para apoiar sempre e incondicionalmente este amor da nossa vida. Desejo as rápidas melhoras para Slimani e fica desde já o meu desejo de o ver jogar já na próxima quinta-feira frente aos alemães. Vamos precisar da sua ajuda para dar a volta a um resultado tão adverso, frente a um adversário que mostrou ser muito difícil mas que também possui algumas debilidades. Eu acredito. Ainda temos mais 90 minutos de jogo pela frente e esta doença não me permite baixar os braços, nem por um segundo que seja.