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Mais Um Dia Na Vida De Um Viciado

por 7 de Fevereiro de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Consumo-a todos os dias. Tornou-se um hábito, virou rotina. Agora, por mais que tente, não consigo livrar-me deste meu vício. Confesso que nunca perdi tempo a pensar se deveria largar ou abdicar deste estilo de vida. Experimento sempre mais um bocado, vou sempre em busca daquela sensação que é practicamente impossível de explicar.

Nesta semana, depois da vitória em Arouca, tenho abusado na dose. Vou trabalhar completamente “cego”. Tenho colegas que olham para mim com desdém, outros com tristeza. Por vezes, nestes descontrolos emocionais, não nos apercebemos das figuras que estamos a fazer. Eu salto. Canto. Grito. Bato palmas. Eu sou o Musta num segundo e o Slimani no outro. Imagino-me a defender um penalty com as luvas do Patrício e no lance seguinte, estou a dar ordens ao Tanaka para ir aquecer. Faço um corte limpo à Paulo Oliveira e no ataque seguinte estou com um pote de fumo na mão a cantar o “O Mundo Sabe Que” acompanhado pelo Curva numa versão acústica.

O vício vai um pouco descontrolado por esta altura. A mim sempre me disseram: “Junta-te aos maus e serás como eles”, mas eu não liguei a mínima. Talvez o meu pai seja o culpado do descontrolo da situação. Não consigo largar isto…

Saio do trabalho e procuro de imediato os que partilham desta mesma droga. Ao contrário das que existem no mundo real, esta não se compra, antes pelo contrário, alimenta-se com sonhos, amizades, histórias inenarráveis e momentos de loucura. São muitos os que vivem neste mundo paralelo. Juntamo-nos e disfrutamos deste grande prazer da nossa vida. Como disse no início do texto, tenho abusado. Mas não sou o único. Também eles vão trabalhar sob o efeito do vício. Também eles imaginam ser o Nani a colocar a bola na gaveta, ou o Carrilo a serpentar um, dois, três e quatro adversários. Também cantam e gritam. Também tremem que nem varas verdes num misto de ansiedade e desejo.

Não sei se alguma vez estarei preparado para deixar o meu vicio. Não me sinto necessitado a fazê-lo e, por enquanto, isto alimenta a minha alma, faz-me feliz, e eu sinto-me especial…

Eu e eles, fazemos parte dos 30 mil que estão sempre lá. Para esses, que são como eu, esta semana tem sido um inferno que, a cada dia, está mais pintado de verde e branco. Está entranhado no sangue. Faz parte do ar que respiramos. A droga chama-se: Sporting Clube de Portugal. E por muito que quissesse deixar este meu amor/vício, ele faz parte da minha vida.

Chegou a altura. Está aí o derby eterno. O momento da época. E são estes jogos que nos fazem recordar, avivar e consumir, ainda mais esta paixão. Faz-nos relembrar o pé esquerdo do Balakov num dia de nevoeiro cerrado, o magricelas, que foi o maior pesadelo dos lampinos, o capitão Beto a cabecear nas alturas para o fundo da baliza de Vitor Damas… O jogo do ano está aí à porta e nós, os viciados, estamos incontroláveis. Pode até parecer doença ou inlucidez da nossa parte, mas achas que isso nos preocupa?

O Sporting é nosso e nós somos o Sporting, cara****!