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Tripanagem

por 23 de Janeiro de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Num blog pseudo-sério (quem quiser encontrar, faça google com o texto, que eu não vou dar voluntariamente visitas ao artista de circo), eu leio isto:

“Antes de mais, a todo o leitor que comece a ler este texto, aviso desde já que sou portista e hoje, após a vergonha que foi a arbitragem na pedreira, vou ter uma caneta afiada e falar de assuntos de que pouco falo: arbitragens. Dado isto, de nada valerão as contra-argumentações dos “apitos”, “frutas” ou “Abeis” que tanto gostam de, sem prova, atirar ao ar como se fosse uma verdade provada e acabasse, desde logo, com possíveis factos contrários. Tenho dito.”

Ou seja, o artista de circo pretende que esqueçamos 30 anos da nossa vida. Admito que pela foto, como só atingiu a maioridade há 2 anos, o gajo não tenha vivido o fenómeno em todo o seu fulgor.

Ou então acabou de sair de coma.

E não tenha, por exemplo, assistido em directo ao árbitro a fugir à frente de Fernando Couto e João Pinto para não levar um selo. Impunemente. Entre outros episódios…

É óbvio que o gajo não ouviu as escutas do apito que estão publicadas no youtube, porque… não são admissíveis em tribunal. Ele pede-nos para passarmos por cima de tudo isso, porque como diz, não há provas. Se apanhássemos em gravação a namorada do rapazola a gemer com o patrão que lhe tinha pedido que ficasse até mais tarde, também não significava nada, “proque” não era admissível como prova. Ou não havia prova. Tá certo. Adiante.

Ele lança-se em várias considerações sobre o jogo contra o Penafiel, onde diz que sim senhores, as expulsões foram boas, mas que os tipos do Penafiel também coiso. Right.

E depois,

“Tem sido uma constante: em caso de dúvida, beneficia-se o adversário do Porto. Não digo que queiram beneficiar os outros, digo, isso sim, que objectivamente querem prejudicar o Porto.”

Aqui fiquei em lágrimas. Já mal vejo o ecrã do PC… Mas memorizem este “Não digo que queiram beneficiar os outros”, porque vai dar jeito mais à frente. O melhor está para vir.

“Os únicos pontos perdidos esta época na liga pelos comandados de Lopetegui de forma justa foram, a meu ver, no empate caseiro com o Boavista (super Mika!) e na derrota frente ao Benfica, num jogo onde o domínio não foi suficiente para a falta de pontaria na hora de finalizar. De resto, em Alvalade e em Guimarães “voaram” 6 pontos devido a erros crassos de arbitragem, demasiadamente evidentes.”

Ah. Cá está. A derrota em Alvalade = árbitros. “Demasiadamente evidentes”. Aquilo na Taça de Portugal também foi um eclipse que acontece às vezes. Sorte ou assim. Acontece. Siga.

“Não pense o leitor que estou a ser incoerente com os meus 30 textos anteriores escritos no site: caso os Dragões não sejam campeões (coisa que acredito plenamente que serão), irei dar os parabéns ao campeão, pois o campeonato é uma maratona e não uma prova de 100 metros (como a Taça da Liga, por exemplo), e quem o ganha, tem de ter o seu mérito, mesmo que constantemente “empurrado” das mais diversas formas por outras instituições ou interesses que nada interessam ao nosso futebol.”

Hã? Mas então ó meu, os outros são levados ao colo e depois são campeões com mérito? Ou é uma coisa ou é outra! Ou se na fórmula 1 o Senna fosse primeiro e os outros carros tivessem os pneus cortados pelos fiscais da corrida, aplaudia-se a justeza do triunfo do Senna?

E recordam-se das palavras que vos pedi para memorizarem há uns parágrafos atrás? Pois.

Incoerências de quem branqueia corruptos logo no primeiro parágrafo.

“Foi extraordinário, parabéns ao senhor que provou, dentro do campo, aquilo que estou a escrever e que tem vindo a ser escrito ao longo da época: uns podem marcar golos em fora-de-jogo, ter golos anulados dos adversários, acabar jogos com 11 jogadores, falar com os árbitros, dizer o que lhes vai na alma (através de comunicados ou conferências de imprensa) e passar incólumes. Outros abrem a boca e antes de poderem dizer algo, já estão a ser julgados e punidos, objectivamente, dentro do campo.”

Oh diabo, e se tu soubesses que um dia o Sporting, por muito menos do que o Papa regurgitou estes dias teve os seus jogos sob greve arbitral…

“Para isso, mais vale ficar calado, como fez ontem o enorme presidente dos Dragões e o treinador em quem tanto confio, deixando apenas palavras aos jogadores e adeptos, que se demonstraram contra este sistema que vem sendo preparado e montados ao longo dos anos.”

Errr… esta dispensa palavras. Como um quadro abstracto de um artista de rua ali no Chiado…

Se tentasse aliás comentar este parágrafo… não. É melhor não.

“Sinto-me com toda a moral e propriedade para falar, pois o Porto tem provas dadas internacionalmente que justificam, e de que maneira, o claro domínio nacional que foi adquirindo. Não é uma tacinha ou uma ida a finais em “meia dúzia” de anos, é uma Liga dos Campeões, uma extinta taça UEFA, é a primeira edição da Liga Europa e é uma última edição da taça Intercontinental. “Só” isto, no meio de tubarões como Barcelona, Real Madrid, Bayern, Manchester, Chelsea, Milan, etc…”

Sim. E recordo também a Juventus e o Marselha… Tudo bons rapazes.

Mas no parágrafo imediatamente a seguir (não se riam) :

“Ser Portista é não olhar o passado, é olhar o presente e ter os olhos postos no futuro, é ter sede de vencer e vontade de encontrar forças contra tudo e contra todos, custe o que custar.”

(Eu disse para não se rirem)

Ó bacano, então aquilo de no passado coiso e tal e muita bom, e a seguir, para não ligarmos ao passado? VAT ou maconha?

E termina com o abraço ao Hélton e ao Quaresma, esses símbolos de portismo e portadores da mística nortenha, das escolas do Vasco e do Sporting. Bonito.