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Terapia de choque

por 19 de Janeiro de 2015À saída do estádio0 Comentários

O tal penalty, uma exibição gorda e o sorriso do senhor que segura a bandeira nipónica na bancada. Foram 3 chavões que corresponderam aos 3 pontos alcançados frente ao conjunto de Vila do Conde que em muito contribuiu para que o jogo se traduzisse num hino ao futebol.

Houve quem achasse o castigo máximo, que derrubou a parede de gelo, algo exagerado porque, seguindo o critério do juiz, existiria sempre uma bela porrada de penáltis por jogo. Pessoalmente acho que uma equipa não sofreria 15 grandes penalidades numa só partida se não agarrasse 15 camisolas dentro da grande área. É uma coisa que se pode treinar até porque num qualquer meio campo isto dá direito a falta, muitas vezes amarelo e,  noutras tantas, assobiadela. Disse Rui Pedro Brás na TVI24 que o castigo era uma anedota ("Onde é que está escrito que eu não te posso agarrar na camisola?") e disse Sérgio Pereira na crónica do resultado no MaisFutebol "O colombiano não caiu, é verdade, mas houve falta. Provavelmente se tivesse caído o ruído seria bem menor, mas isso só nos dá a certeza que o futebol português não se gere por factos, gere-se por aparências". Assino por baixo de um destes dois e não é de certeza no lampião. Rui, onde é que está escrito na lei que não podemos atropelar velhas de 81 anos com uma Renault 4L? Podemos então agarrar neste fantástico hobby e fazermo-nos à estrada...

Sofremos 2 golos, é verdade. Panicámos no primeiro porque nos fez voltar ao início e ficámos em sentido com a bomba do Hassan porque a ténue linha do risco ficou mais evidente num jogo que parecia ganho. Quando intensificámos o jogo o Rio Ave mais parecia uma presa como as outras. Só queria era despachar a bola dali para a frente deixando a organização ofensiva para segundo plano. O William tinha 3 metros, o Nani perguntava aos defesas para que lado queriam, quem quisesse acompanhar o Jefferson tinha de chamar um táxi e o Tanaka... bem, o Tanaka mostrou que também se fazem pés esquerdos europeus no oriente. Fez render bem aqueles 10 minutos!

Se o Pedro Martins se queixou agora ou se não o fez contra outras equipas o problema já não é nosso. Continua a parecer que contra o Sporting a paciência de alguns atinge a gota de água mas frente a outras equipas o medo deturpa uma análise do tipo "voo de pássaro" nos palcos dos grandes. Vamos ouvir falar sobre este penalty durante alguns dias mas um certo fantasma do Arouca que tropeçou na Luz há uns tempos ou o tal empurrão do Montero no golo anulado do Slimani frente ao Nacional na temporada passada terão os mesmos intervenientes com outra linha de pensamento sobre as regras do futebol. Sou casado com o Sporting Clube de Portugal e cá estarei para defender o meu amor das garras da hipocrisia alheia.

Agora se é uma questão de interpretação das regras qualquer conversa de futebol, política ou religião vai ser sempre infinita. Há os que gostam da decisão, os que não gostam e ainda vêm ao barulho os que não gostam daqueles que gostam. Que complicação...