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Quebrar o Gelo

por 8 de Janeiro de 2015À saída do estádio0 Comentários

Numa noite muito gelada, o Sporting não se encolheu, não andou com paninhos quentes, nem permitiu que a equipa do Famalicão chegasse sequer a aquecer o sonho. Os quatro golos sem resposta com que os leões bateram a equipa nortenha são o resultado da superioridade, em todos os aspectos, dos pupilos de Marco Silva.

O frio que se fez sentir em Alvalade e a hora tardia do jogo, terão sido os principais factores que contribuíram para a pior assistência da época. Contudo, não posso deixar de aplaudir a presença em massa dos adeptos do Famalicão que ajudaram a dar alguma cor às bancadas.

No relvado, e ao contrário do que aconteceu na última eliminatória da Taça de Portugal frente ao Vizela, o Sporting abordou o jogo de forma séria. A turma de Alvalade esteve sempre por cima do acontecimento e depois do primeiro golo, a boa organização defensiva do Famalicão acabou por quebrar, o que permitiu ao Sporting ir dilatando o marcador à medida que o cronômetro andava.

No plano defensivo nada a apontar. É verdade que o adversário não produziu caudal ofensivo suficiente para importunar a defensiva leonina. Nas laterais, Miguel Lopes cumpriu e Jonathan demonstrou que a posição de defesa esquerdo é a mais equilibrada do plantel. Tanto o argentino como o brasileiro Jeffreson, são soluções de alta qualidade que Marco Silva tem ao seu dispor. No eixo da defesa, Paulo Oliveira é cada vez mais patrão e Tobias, outro produto de uma formação em crise, demonstra potencial e qualidade para, a breve trecho, fazer parelha com Paulo Oliveira e com isso formar uma dupla de centrais para o presente, ciente de que ambos ainda serão vitimas das naturais dores de crescimento, mas convicto que esta pode ser uma dupla como há muito não se vê no Sporting.

Subindo no terreno, encontrámos um William mais solto, mais agressivo no momento de disputar a bola, mas ainda muito intermitente na sua consistência de jogo. Entre altos e baixos, durante os 60 minutos que esteve em campo, o número 14 acaba por sair do relvado com nota positiva. No meio campo, está ainda outro produto da formação em crise, de seu nome João Mário. Ontem, partiu a loiça toda. Organizou, abriu espaços, orquestrou o futebol atacante da equipa e essa batuta de maestro assentou-lhe que nem uma luva. Foi, obviamente um dos melhores em campo.

E é no ataque que esteve um dos piores momento da noite de ontem. Não foi o Mané, não foi o Montero, nem o Carrillo, nem o Tanaka, mas sim alguns adeptos. Depois de assobiarem Nani, Rui Patrício, Adrien, Carrillo, entre outros, ontem foi a vez de apupar Carlos Mané. Aqueles que aplaudiram orgasmicamente Shikabala, serão, porventura, os mesmos que agora crucificam mais um produto da formação em crise. Ora vejamos: Neste jogo (e também esta época) Carrillo, foi o desequilibrador de serviço. Sem Nani em campo, o peruano assume esse papel com toda a naturalidade, mas ao seu futebol virtuoso, Carrillo juntou-lhe maturidade táctica e atitude, e hoje, é indubitavelmente, um dos melhores jogadores da Primeira Liga.  É preciso calma e paciência. É preciso acarinhar e aperfeiçoar. O tempo encarrega-se do resto...
Tanaka mostrou cultura atacante com movimentações oportunas e sempre a servir como muleta de apoio aos seus colegas de equipa. Faltou o golo, sobraram as assistências. O japonês merece mais minutos. Ao seu lado, ou perto de si, esteve o homem do jogo, Montero. O colombiano é um jogador com um requinto técnico apuradíssimo. Tem pormenores magníficos capazes de desconcertar qualquer defesa e criar os desequilíbrios necessários para a equipa chegar ao golo. E mesmo após o penalty falhado, Fredy ainda fez o gosto ao pé. Numa altura em que vamos perder o melhor marcador da equipa, é importante poder contar com um Montero matador, inspirado e de sorriso no rosto.

Domingo, vem ai um teste de ferro e fogo, no qual não podemos vacilar. Domingo, tem que servir para reforçar que existe apenas um Sporting, não o de uma região, mas sim, um Sporting de Portugal.

P.s: Faltam apenas 180 minutos para voltar a pintar o Jamor de verde e branco.