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Juventude vs Experiência

por 15 de Janeiro de 2015À saída do estádio0 Comentários

«Comigo ninguém falou, mas falaram com o meu pai e com pessoas que estão ao meu lado que me transmitiram as ideias do Sporting e expuseram as minhas» Estas são algumas das declarações de Ricardo Costa ao Maisfutebol.

Quando me preparava para escrever sobre a excelente prestação dos jovens leões frente ao Boavista, assunto que deixo para conclusão deste texto, dou de caras com este alegado interesse, agora carregado de veracidade, do Sporting no central português. Confesso que não tenho um ideia clara se a possível chegada de Ricardo Costa é uma clara mais valia. Passo a explicar.

O internacional português de 33 anos é inequivocamente um central experiente e com traquejo internacional. Tem o perfil de Líder, não é por acaso que chega a ser um dos três capitães da selecção nacional, mas será o orçamento salarial capaz de suportar a chegada deste jogador?

O Presidente Bruno de Carvalho traçou um limite no que a vencimentos diz respeito. O resultado prático desta medida não é excelente, no entanto, está muito longe de ser desastroso. Se há pouco investimento, o mais importante será rentabilizar a prata da casa.

Maurício e Paulo Oliveira, fazem até ao momento a dupla de centrais. Não vou esmiuçar mais as fragilidades do primeiro, até porque tem aptidões físicas muito importantes a seu favor e sobre o segundo, o facto de ser a maior revelação da época em curso. fala por si só. Dentro do plano traçado e dos cumprimentos eleitorais, as apostas têm-se virado para os mercados terceários do futebol mundial e para o mercado interno, nomeadamente, para o que de bom se produz em Alcochete. Não interessa se os reforços são de A, B ou C, o importante passará sempre por rentabilizar ao máximo os nosso activos. Neste perspectiva, e quando Tobias Figueiredo parece estar encarrilado para vir a ser titular na equipa leonina, será Ricardo Costa o nome que vai fazer romper a estratégia delineada?

Os valores do tecto salarial são conhecidos, são públicos. Um central como Ricardo Costa, ainda que reúna capacidades que acrescentariam qualidade à defesa do Sporting, não é jogador, na iminência de ter que quebrar essa tal barreira monetária face ao talento/qualidade, para fazer abrir os cordões à bolsa.

Alguns, dir-me-ão que lançar Tobias Figueiredo é queimar etapas no crescimento do jogador. Contudo, eu não posso estar mais em desacordo. E é aqui que entra o jogo de ontem.

Marco Silva  como planeado para a Taça da Liga voltou a alterar, a dar minutos a alguns e ritmo competitivo a outros. Frente aos axadrezados, Tobias Figueiredo, Gauld e Podence, foram os homens com sinal mais na formação do Sporting. No cômputo geral, tanto as individualidades como o conjunto, estiveram bem. Viram-se boas combinações, maior entrosamento e mais rotinas, factores que contribuíram para o domínio total da partida e que fizeram sobressair a capacidade técnica de alguns jogadores.

No fim dos 90 minutos os Sportinguistas através da página oficial do Clube no Facebook, elegeram Ryan Gauld como melhor jogador em campo. Mas, pessoalmente, ainda que o escocês tenha estado bem, a votar,seria sempre no jovem central Tobias Figueiredo.

Nas duas vezes que foi chamado por Marco Silva, mais que a qualidade inata, o jovem central voltou a mostrar um poder de concentração e índices de maturidade, muito pouco normais para a sua idade. Não complicou, demonstrou muito sentido posicional e um poder de elevação vistoso. Características que dão garantias de que há potencial em bruto e que precisa de ser extraído. E como é que isso se faz? Dá-se minutos. Competição. Ritmo. Jogos.

Se Ricardo Costa reforçar o Sporting, será bem-vindo. Isto numa conjuntura em que o jogador aceite baixar drasticamente o que, com certeza, tem em mente em termos de valores. Porque de outra forma, acho por bem deixar crescer o que de bom se faz em Alvalade e tirar proveito disso. Até porque corremos sempre o risco de não usufruir daquilo que produzimos...

Ilori e Dier. Faz-vos lembrar alguma coisa?