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ADN leonino

por 30 de Janeiro de 2015Os textos do Damas0 Comentários

Sempre ouvi dizer que o adepto leonino é diferente.

Sempre o senti, mas sempre considerei que era algo difícil de definir, em milhões de adeptos do Sporting Clube de Portugal. Como definir uma identidade comum a milhões de almas? Um país é composto por vezes por regiões que rivalizam entre si e dentro de uma região, cidades rivais… Assim, como pegar numa agremiação, ainda que centenária, cuja identidade poderia passar apenas pela cor e padrão das camisolas e pelo símbolo do leão?

Ao longo deste meu tempo a ver futebol, alinhavam no relvado com essa camisola e símbolo, jogadores da mais alta qualidade que pude ver nos relvados nacionais. E colocavam nas jogadas uma técnica que fazia inveja a clubes “tão grandes como os maiores da Europa". Jogavam um futebol tão régio, que apenas esbarrava em jogadas de bastidores que os afastaram décadas de títulos internos (perpetrados por gente que não compreende como pode não ser agraciada em galas do futebol nacional, ao qual fizeram tanto mal)...

Mas esse tempo de grandes craques já passou.

Como continuar a definir um clube pelo futebol, que mudou tanto? Temos agora no relvado um Rui Patrício e não um Schmeichel. João Mário e não um Balakov. Ok, temos o Nani, mas ao nível do Figo? O Slimani marca tanto como o Jardel? O Montero é um Manuel Fernandes? O Tobias é um Valckx e o Paulo Oliveira é um André Cruz? O Tanaka é um Beto Acosta?

Não.

Embora tenham qualidade para serem campeões em Portugal (se o futebol não fossem jogadas de bastidores ou os árbitros tivessem espinha dorsal). Têm qualidade para orgulharem em qualquer jogo onde ostentem o leão ao peito e já o demonstraram em casa dos rivais. Mas os nossos rapazes não têm a dimensão do futebol régio, arrogante. Jogam bem à bola, mas não como outrora, onde os orçamentos tinham o tamanho dos nossos sonhos, e era possível imaginar o Rijkaard ou o Maradona no Sporting. Esses tempos já não voltam. Nem para nós, nem para os nossos adversários directos. (Sálvio custou 13.5M, Simão 13M, Hulk 19M, Danilo 13M)

Então como definir um clube?

Nestes dias obtive algumas pistas. O valor do Sporting clube de Portugal não são os milhões dados pelos jogadores que evoluem no relvado. Não é a contagem de títulos. Não é os lugares no campeonato.

Não, meus caros consócios e adeptos, também não é a Academia nem as bolas de ouro do Figo e do Ronaldo, lamento...

É nas bancadas. Os seus adeptos, gente com cabeça e cérebro lá dentro. O ADN leonino são os seus adeptos que transportam a mística de uma enorme dignidade ao serviço da sua agremiação. E o espírito crítico que a inteligência que os faz analisar o seu clube.

Ok, já ficámos em 7º lugar no campeonato. Mas preferimos isso a vencer apenas 3 jogos no campeonato sem ser ao colo dos árbitros para seguir em primeiro.

Fomos nós que tratámos de mudar um certo estado de coisas. Pela nossa mão, adeptos. Fomos nós que o entregámos a um tal de Bruno de Carvalho que nos pareceu uma personagem competente e capaz. Mas também o saberemos retirar das suas mãos, caso tenhamos razões para isso!

Houve momentos em que criticámos a postura do presidente. Eu sou sincero quando afirmo que, caso o presidente tivesse castigado Nani por supostas declarações pós-Guimarães teria perdido o meu apoio. (Sobre o caso "versus Marco Silva", mantenho as reservas porque foi tudo escrito numa comunicação social que não nos quer bem. Mas se foi realmente assim e o presidente alinhou o tiro e teve a dimensão de ver o melhor para o clube, então que enorme presidente temos...)

Comprovei na assembleia que o presidente convocou, no discurso e nas explicações que o presidente tem que prestar aos sócios e adeptos.

O clube é nosso. Não toleraríamos um presidente que nos enganasse. Um que dissesse numa primeira fase que ia apostar na formação e na seguinte desatasse a vender jogadores da cantera carregados de mística leonina e comprovada qualidade.

Não aceitamos milhões da treta. Jogadores vendidos por milhões que afinal foram só emprestados e ainda são nossos. Avultadas comissões a empresários com luvas a toda a gente, "resta nada" para o clube.

Não aceitamos jogos apitados a nosso favor. A nossa luta é e sempre foi para não sermos prejudicados, não para sermos beneficiados. Rejeitaríamos jogadas de bastidores e não toleramos "agents provocateurs" na estrutura directiva.

É isto que nos diferencia dos adversários. É o nosso ADN. Somos nobres de espírito, que é mais importante que de conta bancária, títulos manchados ou o que quer que vá para além do mais puro desportivismo.

Stromp teria orgulho do clube que fundou. Outros fundadores de outras agremiações talvez pudessem não sentir o mesmo...