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O doce veneno de La Culebra!

por 6 de Dezembro de 2014À saída do estádio0 Comentários

André Carrillo Diaz é certamente, desde a sua chegada a Alvalade em Maio de 2011, um dos jogadores que mais expectativas criou quanto à sua margem de progressão. Jogador dotado de uma enormíssima qualidade técnica e de uma velocidade acima da média, passou desde cedo a ideia de que iria ser, mais tarde ou mais cedo, um dos melhores na sua posição a actuar no futebol português.

No entanto, com o decorrer do tempo, começaram a surgir algumas dúvidas quanto ao futuro promissor do jovem peruano. Deambulou, vezes sem conta, entre bons momentos de futebol e momentos nos quais nem se fazia sentir em campo. Apresentava-se inúmeras vezes indisponível para jogar com intensidade, chegando mesmo a apagar-se por completo em muitos dos jogos que disputava. Perguntei, várias vezes a mim próprio, o que se passava com ele, o porquê de tanta intermitência no seu futebol, na sua vontade de jogar e brilhar, o porquê de tão grande demora em se afirmar como um dos grandes talentos a jogar em Portugal. Cheguei mesmo a temer que estivéssemos perante um caso igual a tantos outros, de jogadores que nunca passam de eternas promessas, pleno de talento e capacidades mas com acentuadas dificuldades em colocar tudo isso em prática de forma regular e consistente. O tempo foi passando e as esperanças esfumaçando-se, confesso.

Com Marco Silva no comando, La Culebra finalmente despertou. Deixou a sua toca e começou a picar tudo o que lhe aparece pela frente, de forma impiedosa mas elegante, serpenteando inúmeras vezes por entre os seus adversários, sempre desejoso por aplicar o seu veneno letal e multiplicar o seu número de vitimas. Ao todo, soma aproximadamente 1000 minutos jogados na corrente temporada, distribuídos pelas 3 competições disputadas até este momento. Marcou por 5 vezes e foi o homem que assistiu em 8 ocasiões. São números muito satisfatórios os que resultam desta contabilidade, números que comprovam o seu fantástico momento de forma e que nos fazem depositar, agora mais do que nunca, uma enorme esperança neste miúdo e em tudo o que pode fazer pelo Sporting Clube de Portugal.

Ontem, no Bessa, voltámos a assistir a um magnifico show de magia protagonizado por André Carrillo. Na segunda parte do desafio, abriu o seu livro de truques e começou a tirar coelhos da cartola. Mostrou como se faz desaparecer um adversário em apenas 2 minutos e, da sua manga, saíram mais 3 pontos para a malta de verde de branco. Sei que é sempre arriscado dizer isto mas, a verdade, é que quase nem se deu pela falta de Nani em campo, tal foi a qualidade com que o número 18 correspondeu à solicitação. Não duvido que, com a exibição de ontem, tenha carimbado a sua presença no 11 inicial que vai pisar o difícil terreno de Stamford Bridge. Vamos precisar da sua estrela para conseguir pontuar em Londres. Seja a assistir ou a marcar, La Culebra vai picar. Eu acredito.