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Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho

por 3 de Dezembro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Chegaram, finalmente, os dias de Dezembro. As temperaturas pouco habituais para a época deram lugar à necessidade de aconchegar os cachecóis junto ao pescoço. O meu cachecol favorito é verde e branco e é, também, aquele que uso com maior orgulho. Digo, sem qualquer receio, que o orgulho do Sporting Clube de Portugal foi restabelecido.

Quero fazer-me entender da melhor forma: Nunca pensei em virar costas ao meu clube porque o amor que se constrói durante anos possui alicerces suficientes para encarar as realidades mais adversas. Os verdadeiros, pensam como eu. Os verdadeiros choraram mas fizeram-no em nossa casa, quando os cânticos foram substituídos por assobios e o calor humano não se fazia sentir. O que mais me revoltava era a forma leviana como os nossos jogadores usavam o manto sagrado. Não lhes pesava, não o sentiam e desconheciam o seu valor. Foram meses demasiado sombrios para aparecerem à luz da memória. Desci várias vezes as escadas do nosso estádio com as lágrimas suspensas nas minhas pestanas e os dentes cerrados de raiva, mas nunca despia a camisola do leão e cheguei a dormir agarrada ao meu cachecol favorito. Todas estas recordações cruzaram o meu pensamento horas antes de rumar a Lisboa, no dia 29 de Novembro de 2014, para dar vida ao nosso lema, à frase da nossa fé: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

É soberbo olhar para a grandeza e para a força desta nova estrutura directiva. Eu acho que os sportinguistas, por vezes, se esquecem do cenário que estes guerreiros encontraram quando abriram a porta. Não havia peças que se pudessem aproveitar ou ideias capazes de serem continuadas. Nós éramos meros fantoches nas mãos sujas do egoísmo e do abuso de poder que foram capazes de destruir quase tudo. Escrevo e repito “quase” porque tenho a certeza de que Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho conseguiu visualizar paixão nos nossos olhos e nós, depois de atravessarmos o túnel mais escuro da história do clube, demos de caras com uma figura com o olhar igual ao nosso. Quando o querer é maior do que a alma torna-se possível atingir objectivos e chegar a palcos que sentiam a nossa falta e que não têm o mesmo brilho sem as nossas vozes.

Há um aspecto que alguns tentam desvalorizar e que outros sonham atingir: Somos os melhores adeptos de Portugal. Acham que um CLUBE vive de títulos? Então eu digo-vos que o FUTEBOL sobrevive por existirem adeptos como nós. Eu olho para trás e ganho a noção de que só faz sentido estar presente num festejo quando já aplaudiste a equipa depois de uma derrota. Eu olho para trás e ganho a noção de que não ganhamos um título há seis anos mas fomos o clube que arrastou mais pessoas nos jogos fora de casa na época passada. Que sentido é que essas estatísticas fazem para aqueles que só contam as taças que levantam? Pergunto-vos: Isso, para vocês, terá valor? Talvez me respondam que não e, logo à noite, estarão a publicar um vídeo dos adeptos do Dortmund que, apesar da equipa estar em último lugar do campeonato, continuam a encher por completo o Signal Iduna Park. Talvez me respondam que não e eu estico-vos a mão e viro-vos costas com um sorriso nos lábios.

Foi Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho que juntou toda a frustração, todo o desânimo, toda a revolta e todo o descontentamento e o transformou numa motivação capaz de voltar a erguer as paredes do nosso mundo. Eu sei que isso só foi possível porque Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho não estava de pé com os sapatos de brilho e o fato de gala quando nos esticou a mão. Ele estava sentado ao nosso lado e partilhava os mesmos sentimentos, não se querendo apresentar como um superior, mas sim como um igual. Ao longo do tempo, é isso que me faz acreditar nas suas palavras: Ele festeja e vibra como nós, saltando do banco e abraçando os demais. Ele age e fala como nós, defendendo o Sporting com todas as suas forças. Como nós, é muitas vezes traído pelo calor do momento, disparando em direcções pouco favoráveis. No fundo, Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho é o representante de todos nós. É o homem que poderá incentivar os jogadores com as palavras que todos nós gostaríamos de transmitir, é o homem que foi capaz de nos devolver um diamante que todos nós desejávamos, é o homem que aplaude, em todas e quaisquer circunstâncias, o público presente no final dos jogos, como nós faríamos no seu lugar.

No dia 29 de Novembro de 2014, percorri todo o meu caminho até Alvalade a pensar nos degraus que temos subido desde a chegada deste presidente. É fácil responder que o Sporting Clube de Portugal está no patamar de onde nunca deveria ter saído, mas não se esqueçam de que fomos um comboio dirigido por mestres maliciosos e que, num passado bem recente, o eco do nosso fim foi bastante audível. Foi por termos ganho algum título que não nos destruíram? Não. Não nos destruíram porque Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho ama o Sporting, tal como nós.

 

Rugido de uma leoa