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Apenas uma opinião limpinha

por 22 de Dezembro de 2014Mão Verde, Os textos do Damas0 Comentários

Há que dizer que o fim de semana foi cheio de peripécias onde a ira, a felicidade e os nervos à flor da pele andaram de mãos dadas. Antes que alguma coisa fique esquecida ou até mesmo não esclarecida, aproveitemos enquanto que o cenário apocalíptico ficou brando, para as relembrar:

O Efeito Borboleta: É uma melga, uma carraça, um chato para os defesas. Já não conseguem preparar um chuto na bola da melhor forma porque aqueles 2 segundos que têm para levantar a cabeça dão para ver um touro a correr e a tapar 90 metros de campo. O que outrora Liedson fazia, Slimani melhorou com o dobro do peso. A equipa adversária tem de ser rápida a despachar a bola e o jogo, claro está, fica condicionado por um gajo que se feriu na cabeça e saiu de campo por breve segundos para levar (apenas) uma estampa.

La Culebra: Ansiávamos pelas suas exibições regulares para que assim o bilhete ficasse bem pago. Agora que o jovem peruano o conseguiu foi precisamente a fazer o contrário que a multidão se levantou. Carrillo destruiu o jogo por completo naquela meia dúzia de minutos finais onde jogávamos com menos 1 jogador e as pilhas dos restantes já estavam a apitar. Qualquer distração e podiam voar 2 pontos numa questão de segundos mas se ter a bola no ataque é meio caminho andado para não sofrer golo, ter nos pés do Carrillo já é dizer “olé” mesmo com a margem mínima.

A Galinha da Vizinha: Noutras andanças, quando nos roubavam golos (e atenção que não irei colocar este verbo entre aspas), éramos chorões porque não marcávamos mais para ganhar os jogos. Agora que só falta mesmo o senhor in-parcial encostar o pé em cima da linha de golo nos jogos dos adversários, falamos novamente e já não nos sabemos meter na nossa vida. Primeiro de tudo, oferecer armas ao inimigo afeta-nos na nossa guerra, logo é problema nosso. Em segundo, coincidência é uma palavra que pode ser utilizada à sua segunda aparição… não à décima quinta. Por último eu vejo um erro, assim como mais uns milhões de pessoas. É propositado ou por estupidez humana e não há uma terceira expressão a ser utilizada. Quem regula essa merda só tem é de dar a cara e dizer qual das duas condicionou o jogo, em vez de virar a tromba e assobiar para o lado.

Religiões: No canal onde estava a dar o jogo do Gil Vicente foi quase nulo o tempo de duração da mítica linha do fora de jogo no único golo da partida. Em cerca de 30 segundos só se gritava “golo, golo, golo” e “oiçam bem o que eu vos digo”. Bem, oiçam-me a mim agora: Não era golo, o Maxi estava em fora de jogo! Falando em Maxi, num lance mesmo no final, sentiu-se pressionado e deixou-se cair para a falta. É normal que os jogadores de futebol o façam mas o próprio comentador a dizer “Com o passar do tempo os jogadores vão ganhando experiência e Maxi Pereira usa essa experiência adquirida ao longo dos anos para se deixar cair e ganhar a falta” só mostra que a voz é igual à mentalidade de quem a emprega. Um nojo explicar aos mais novos que mais tarde eles podem enganar as pessoas com a experiência… talvez o país ande para a frente com estas lições corruptivas da mentalidade humana por parte de um canal faccioso.

Outras Artes: Numa final super renhida na Supertaça em Andebol a satisfação da vitória inimiga teve o mesmo grau de impacto que a desilusão leonina. Sem transformar um reparo num discurso derrotista o que se passou nos segundos finais deixou-me inconformado pela atitude do defesa do Porto que originou o 7 metros que não aproveitámos para levar o jogo para prolongamento. Em competição, uma fração de segundo num remate diz tudo o que pode acontecer a um resultado. Essa mesma fração de segundo não poderá “cegar” a causa em prol da consequência. Pedro Portela foi atropelado no seu remate e caiu de uma maneira que nos deixou preocupados ao início. Há que travar um remate a todo o custo mas não em troca de um xeque à integridade física de um colega de profissão já que foi uma queda aparatosa que não passou daí mas o pior do jogo poderia nem ter sido a bola não ter entrado na baliza.

Não é como cais, é como te levantas: Rui Silva deu a cara no 7 metros final mas não conseguimos o jogo. Assim como o Rui acerta, também tem o direito de falhar. Também se falha em outros instantes do jogo e a responsabilidade é repartida por todos. Os jogadores não ficaram menos infelizes que os adeptos e Bruno Moreira fez questão de realçar em comunicado isso mesmo agradecendo todo o apoio verde e branco quer no pavilhão de Águas Santas, quer fora dele. Mostrámos não ser uma eterna segunda melhor equipa em Portugal mas sim que luta para ganhar em todas as frentes. Isto é o Sporting!