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Uma sombra do que somos

por 2 de Novembro de 2014À saída do estádio0 Comentários

Começo por confessar-vos que estava bastante optimista com esta deslocação a Guimarães, depois das últimas exibições da equipa não havia motivos para estarmos de outra forma, mesmo tendo a noção de que a tarefa não seria nada fácil.

E como era importante esta vitória para mantermos uma distância curta dos nossos rivais. Infelizmente, nada do que desejávamos aconteceu e foi com grande tristeza que vi a minha equipa sofrer 3 golos sem resposta. Senti cada golo como uma facada no coração, a nossa passividade foi gritante no momento de defender, cometendo falhas que não podem acontecer numa equipa que tem aspirações ao título. Há aqui muito trabalho para Marco Silva, nomeadamente nos lances de bola parada onde não podemos ser tão premiáveis defensivamente. Foi uma derrota dura e merecida, mas poderá ser também uma derrota construtiva – no âmbito de tentarmos perceber o que falhou e o que temos de fazer para conseguir ser uma equipa ainda mais forte.

Ontem, tive dificuldades em eleger o melhor jogador do Sporting em campo, simplesmente não consigo destacar ninguém em especial. Talvez Nani tenha sido o mais inconformado e aquele que mais tentou inverter o rumo dos acontecimentos, mas a maré estava bem forte e para chegar a bom porto, era preciso bem mais do que apenas um Nani inspirado. Diria mesmo que estivemos irreconhecíveis, não jogámos sequer uma pequena amostra daquilo que sabemos jogar. Ontem não perdemos por culpa de A, B ou C, perdemos porque o nosso colectivo não existiu e as nossas individualidades não brilharam como nos têm habituado. Faltou alma, faltou entrega, faltou vontade de vencer, e tudo isto, era fundamental para bater um Guimarães forte e bem orientado. Este foi certamente o jogo da vida de alguns dos jogadores do Vitória, onde a sorte também entrou na equação, visto que tudo parecia correr bem aos pupilos de Rui Vitória. E nós, limitámos-nos a ver jogar. Fomos uma sombra de nós próprios.

Vai demorar algum tempo para que nós adeptos consigamos esquecer a tarde do dia 1 de Outubro de 2014, estaria a mentir se dissesse que vou aceitar isto de ânimo leve e que quando acordar já nem me vou lembrar, porque vou. No entanto, espero sinceramente que a equipa possa ultrapassar rápidamente este percalço e que esteja já a pensar no jogo a meio da semana com o Schalke. A nossa continuação nas competições europeias é uma causa que necessita de angariar mais pontos, e depois daquilo que vimos na Alemanha, é legitimo acreditar que conseguimos vencer. Será oportuno que a equipa consiga pôr em campo toda a raiva que ficou do jogo em Gelsenkirchen, e a juntar a esse ódio, a vontade de voltar às vitórias e às boas exibições. Para complementar tudo isto, é importante que Alvalade se encha com a nossa gente, que não falte apoio a esta equipa que tanto nos faz sonhar e ambicionar. Não deixemos que este deslize quebre o sentimento que a ela nos une. Não deixemos enfraquecer o nosso amor, nem por um segundo, pois é nestes momentos que o Sporting mais precisa de nós.