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A Maldita Bipolaridade Sportinguista

por 8 de Novembro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Escolhi propositadamente este momento para falar de um tema que me entristece na condição de adepto incondicional do Sporting.

Deixei passar aqueles dias a seguir ao jogo de Guimarães e aguardei pela resposta que a equipa iria dar frente ao Gazprom, numa partida que em tudo era decisiva para as nossas aspirações europeias e onde apenas o triunfo nos interessava. A enorme exibição e os 4 golos conseguidos não foram de todo uma surpresa. Foram fruto de uma superioridade imensa ao longo de 90 minutos de jogo, um pouco à imagem daquilo que já tinha acontecido na Alemanha, mesmo jogando em inferioridade numérica. Estamos com 4 pontos neste momento, e se a estes juntássemos o ponto que nos foi roubado em Gelsenkirchen – e digo um ponto mas digo-o consciente de que em condições normais tínhamos tudo para trazer os 3 em disputa –, a esta hora já tínhamos atirado as salsichas gaseificadas para o terceiro lugar do grupo. De qualquer forma, ainda nada está decidido. O próximo objectivo passa por vencermos o Maribor e se isso acontecer, a Liga Europa fica desde já garantida. Quanto aos oitavos-de-final, esses continuarão a ser uma incógnita até à última jornada.

Depois do desaire em terras de D. Afonso Henriques, a equipa voltou a estar ao seu nível habitual: Ambiciosa, humilde, plena de alma e coração e capaz de aplicar em campo um futebol atraente que aparenta ser eficaz e propício a cilindrar qualquer defesa adversária. Sim, digo cilindrar porque nos últimos seis encontros alcançámos uma média fantástica de 3 golos marcados por jogo.

Foi isto que voltámos a ver na quarta-feira. Foi isto que mais uma vez nos encheu o coração de alegria. Nunca coloquei em causa a qualidade da nossa malta, nem seria justo fazer isso a uma equipa que tantas provas nos tem dado. Todos temos dias maus e todos falhamos como seres humanos. Ninguém é infalível e a nossa equipa também não o é. Aliás, nenhuma equipa no mundo é e por mais que nos custe, perder faz parte da vida. Ponto.

Onde há amor há sofrimento. Não há, nem nunca houve, relações perfeitas, por isso volta e meia volta há desentendimentos que nos levam a dizer ou a fazer disparatares antes de voltar a cair na realidade. Este é um processo natural e comum na vida de todos nós. Sofremos com momentos menos bons, assim como sorrimos nos momentos de felicidade, mas estamos lá em todos em todos os contextos, custe o que custar.  Aquilo que não pode acontecer é, nos maus momentos, virarmos as costas aos nossos sentimentos e àquilo que é importante para nós, só porque estamos lixados com alguma coisa. E foi exactamente esta atitude que se viu em muitos sportinguistas, logo após o apito final do árbitro em Guimarães.

Incrível como se consegue ter a memória tão curta. Num abrir e fechar de olhos passámos de melhor equipa de Portugal, a uma equipa sem futuro. Por incrível que pareça (ou não), houve mesmo pessoas a dizerem que sentiram vergonha da sua equipa. Como é que um sportinguista sente vergonha do seu clube?

Caramba, estamos a falar do Sporting Clube de Portugal, do clube do nosso coração, daquele que todos os dias deve ser motivo de orgulho para nós só pelo simples facto de existir. Que nos custe perder um jogo é uma coisa, que isso nos deixe magoados eu até compreendo, até porque conheço bem esse sentimento, agora virar as costas e sentir vergonha é algo que já não consigo perceber, confesso. Ser sportinguista é um amor a tempo inteiro, é uma paixão que faz parte do nosso dia-a-dia e não é um part-time que se restringe apenas a festejar vitórias e a esquecer todo o resto.

E agora, já somos novamente a melhor equipa a jogar futebol em Portugal? Quanto tempo demorará até que esta bipolaridade volte a vir ao de cima, trazendo consigo as fraquezas dispensáveis presentes em muitos dos exemplares da nossa raça? Não posso dar uma resposta a esta pergunta, mas uma coisa é certa: não contem comigo para xingar o Sporting nem para lhe virar as costas. Ao meu clube entreguei o meu coração, o meu sorriso, a minha alegria, a minha tristeza e as minhas lágrimas. Estou aqui para o que der e vier. Estou aqui de alma e coração.