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Lamber as feridas!

por 3 de Novembro de 2014À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

Não é coisa que passe de um dia para o outro. Nem com este aproximar do jogo com o Schalke a memória do resultado de Guimarães vai ficar apagada, ou tão pouco amenizada. Um jogo atípico por aquilo que se vinha construindo até aqui mas principalmente porque fomos banalizados a uma lição bem estudada pela equipa vimaranense. Diz a ciência que o cérebro está programado para esquecer grandes traumas mas o carácter virá ao de cima assim que uma atitude diferente nos faça arrancar uma vitória já no próximo jogo.

De Sábado passado há duas consequências que se conseguiram tirar de um jogo que nunca seria fácil mas que estaria ao nosso alcance por todas as razões do mundo. A tristeza de sair do norte com um saco de pontos roto e a ira pela vergonha do futebol demonstrada por alguns meios que o apoiam. Já lá vamos.

Um par de golos quase igual não deixou margem para dúvidas de que não se trataram de lances isolados com especial falta de atenção na defesa. Pode ter existido essa falência de cabedal psicológico para abordar a bola naqueles dois cruzamentos tirados a papel químico mas se existiram, para dar golo à equipa da casa, foi porque algo na lição de Rui Vitória descobriu no conjunto sportinguista que o 2º poste estava vulnerável ao ponto de ceder nas alturas. Já no terceiro golo, de penalti, é sempre algo discutível aos olhos do futebol, mas não foi por aí que iríamos safar esta batalha. Foi numa altura de menos motivação e de mais tudo por tudo o que aconteceu. E aconteceu mesmo.

Como adepto desejei mexidas na equipa mais cedo do que o intervalo. Perder lutas a meio campo e quase todos os lances de cabeça a escolherem o equipamento de branco não faziam prever um final feliz e alguma coisa teria de ser feita em bom tempo para que não perdêssemos terreno para jogadores nada medianos como os casos de Bernard, Hernâni e André André. Arrisco-me a dizer que este trio estará desfeito já em Fevereiro de 2015 quando o mercado de Inverno fechar já que depois deste jogo não mais ficarão na sombra de uma equipa que luta por objectivos europeus. A entrada de Sli trouxe algum movimento aéreo e pressão ofensiva, Capel não chegou a ter a sua velocidade porque a dinâmica do jogo não o estava a pedir e Mané entrou a todo o gás com rasgos de fazer brilhar o olho mas inevitavelmente foi colhido pela pacatez do ataque e não mais se viu até final do encontro.

Finalmente chegamos à parte da "ira". Como amante do desporto não deixo de o colocar em 2º plano quando se trata de segurança acima de tudo. O que se passou em Guimarães foi uma vergonha com relatos de assaltos, facadas e alguma passividade policial. Estas situações acontecem em todo o lado e longe de mim tentar isolar estas infelizes acções com a área geográfica em questão. Tirando os 3 grandes podemos colocar os 2 clubes do Minho em posições de 4 ou 5º lugar na maior parte das épocas. As claques têm vindo a assumir um papel mais acentuado no apoio das equipas (então nas do Vitória e do Braga em jogos entre si é que os ânimos se exaltam) mas já se sabe que em Guimarães a coisa nunca é fácil. Qualquer adepto que se veja num cenário de vandalismo ou cobardismo de 40 apoiantes contrários pode sempre contar com a ajuda de meia dúzia de representantes da segurança para dizerem que nada podem fazer porque não terão o controlo da situação.

Continua-se a verificar que hoje em dia as rotundas é que dão dinheiro com operações stop e a velha história do polícia perseguir o ladrão já deixou de ser cliché há muito. Arriscamo-nos a ir ver um jogo a Guimarães, sermos assaltados por não haver polícia suficiente ao redor do estádio, pegarmos no carro para virmos para casa e sermos mandados parar para pagar uma multa de falta de documentos. Para o ano não vamos a Guimarães, são menos pessoas a apoiar as equipas forasteiras, os tais adeptos criminosos ficam a ganhar com isso pois tornam ainda mais inacessível qualquer apoio e a Administração Interna pode cortar mais nos efectivos para reduzir custos.

Porque é que isto me deixa irado? Perto da meia hora de jogo de um V. Guimarães - Porto os adeptos da casa, supostamente, foram alvo de excesso de força policial e toda a gente ficou perplexa. Parece que o que aconteceu agora serviu de emenda à base do Karma. Caso este assunto dê muito que falar, carregam-se os adeptos do Vitória no próximo jogo contra um grande e fica o equilíbrio distribuído para calar as vozes mais inconvenientes... como a minha, por exemplo!