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Where is Shikabala?

por 13 de Outubro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Lá terei de compreender que um jogador de futebol tem uma carreira tal e qual como qualquer outra pessoa que trabalhe na sua vida activa noutros ramos profissionais. Também compreendo que o espaço temporal para atingir o sucesso ou até mantê-lo é mais curto do que noutras profissões o que, por vezes, transforma as decisões de semanas em dias ou até horas. O que acabo mesmo por não compreender é como nem todo o ser humano tem acesso a uma coisa que inventaram há algum tempo e que por vezes atrapalha toda a nossa vontade de ser feliz: O respeitinho, que é bonito.

Mas afinal onde anda o Shikabala?!
Diz-se que anda pelo Egipto, à procura de uma epifania que se mostre decisiva na sua decisão de voltar ao Sporting, e enfrentar um processo disciplinar, ou então de por lá ficar para supostamente voltar ao Zamalek, clube tal que até já informou que as portas estavam fechadas e o seu plantel completo. Esta atitude do jogador, afogada em sarcasmos, é mais um episódio daqueles que só nos faz rir já que os contratos são assinados para que as leis tomem decisões assertivas mas muita gente continua a pensar que uma valente “Birra” é suficiente para os alterar, ou até anular.

Poderia até escolher como factores de comparação Mário Balotelli ou até Nicolas Anelka (12 clubes para este último entre 1996 e 2014, 6 deles ingleses) mas até estes 2 senhores já deram muito ao futebol antes mesmo de serem conhecidos pelas suas atitudes ou irreverências. O Shika não esperou e, pese embora a merda que vai fazendo, continua e continuará a ser desconhecido a nível europeu. As notícias que vou lendo podem ser verdadeiras ou falsas mas o certo é que não está cá. Ao faltar ao compromisso desrespeita o mundo Sporting, os adeptos e sócios, os atletas e a profissão em si.

Porque não é por um jogador aparecer nos últimos dez ou quinze minutos do campeonato passado a executar movimentos de boa técnica com a bola que as senhoras vão passar a sair grávidas dos estádios, que os cafés vão trancar as registadoras para servir “Happy Hours” de bebidas ou então que o número de vendas de camisolas dispare para números que façam o tecido ficar em vias de extinção em Portugal. Exige-se respeito pela instituição e um rapaz de 28 anos, não pode guardar para último recurso a desculpa do “mau aconselhamento” já que a partir dos 18 podemos conduzir, podemos ingerir bebidas alcóolicas e podemos votar. Mas sabemos que não podemos fazer as três coisas ao mesmo tempo porque já somos adultos e supostamente pensamos por nós próprios, como pessoas maduras.

Depois do pedido de ações judiciais por parte da SAD contra Godinho Lopes, Luís Duque, Nobre Guedes e Carlos Freitas por causa das renovações dos contratos de Marat Izmailov e Jeffrén e ainda pela contratação de Alberto Rodríguez, o que fez com que vários esqueletos saíssem do buraco, este caso do egípcio vem assombrar a actual direção como se uma faca de dois gumes se tratasse. Acusações de hipocrisia são alimentadas pelas afirmações de que Shikabala era problemático antes mesmo da sua contratação. Mas uma coisa é certa: Opiniões pessoais não constam em relatórios psicotécnicos e o jogador mijou fora do penico verde e branco a posteriori da sua assinatura de contrato. Qualquer outro jogador que o faça também será punido e o que podemos constatar do antes para o depois é que neste momento não se melhoram contratos a jogadores problemáticos. O resto são guerrinhas!

O que este jogador pode fazer com tempo livre no Egipto é ver como as modalidades do seu (ainda) clube estão todas auto-sustentadas por si mesmas. Que no andebol ganhámos por 10 golos para as competições europeias, que no futsal masculino ganhámos 7-1 à equipa finalista do ano passado, os Leões de Porto Salvo, no caso do feminino as leoas só acabaram o jogo nos 16-1 contra o Bucelenses. Já no caso do hóquei patins a goleada de 4-1 ao campeão nacional Valongo fez somar os primeiros 3 pontos, também no rugby uma vitória por 18-10 frente ao RC Santarém juntou-se a uma medalha de ouro para Joana Ramos em judo (-52 kg) no Cazaquistão e em boxe e xadrez fomos campeões por equipas nas competições onde estivemos inseridos. Isto sim fortalece palmarés e carreiras individuais e colectivas, pois todos estes atletas tinham na mente Esforço, Dedicação, Devoção e Glória e não birrinhas de ocasião.

Shikabala, eis o Sporting!