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O Bom, O Mau e Rui Patricio

por 1 de Outubro de 2014À saída do estádio, O Sporting lá fora0 Comentários

Alvalade, vestiu-se a rigor na noite de ontem, para receber o todo poderoso Chelsea. O verde e branco era abundante nas bancadas e o ambiente era o que se desejava para um desafio desta dimensão. Os sportinguistas responderam em peso na hora de apoiar. Nada que não fosse expectável, pois essa é a nossa cultura, a nossa forma de estar no futebol, aquilo que nos distingue dos restantes e que faz de nós uma força da natureza. Foi arrepiante o momento em que tocou o hino dos campeões mas foi ainda mais arrepiante o apoio que veio das bancadas durante quase toda a partida. As vozes que nunca se calaram, as palmas que nunca cessaram, a esperança que nunca morreu. Sabíamos que seria decisivo apoiarmos na máxima força a nossa malta, na luta contra um gigante do futebol mundial. Era importante que o vulcão de Alvalade fizesse tremer o chão, de forma a tornar a missão do adversário o mais difícil possível. E assim foi. Não poupámos esforços…

Quem também não poupou esforços foi a equipa, ainda que meio acanhada nos primeiros – largos – minutos (nos quais tivemos receio de assumir o jogo e contrariar o poderio dos londrinos, talvez, por excesso de respeito)  acabámos por sofrer o golo solitário de Matic. Perderam-se três pontos, no entanto, os jogadores suaram a camisola e saíram de cabeça erguida desta derrota. É inegável e ficou mais uma vez provado, que do meio campo para a frente temos uma super equipa, capaz de criar um caudal ofensivo asfixiante e cheio de brilhantismo, mesmo contra um adversário que é líder da Premier League. A segunda parte foi praticamente nossa. Com oportunidades de golo e imensas jogadas de perigo, obrigámos Mourinho a colocar Obi Mikel para segurar as pontas a meio campo, substituição que mostrou claramente as intenções do técnico português em querer segurar o desafio, temendo o poderio leonino naquela fase da partida. Permitam-me que faça dois destaques: João Mário, que nem parecia ser um estreante nestas andanças, tal era a qualidade que dava a cada lance no qual participava e Carrillo, que mais uma vez, nos convenceu que de que esta é a sua época de afirmação e que, juntamente com Nani, prometem ser uma dor de cabeça para qualquer defesa que os apanhe pela frente. Durante o jogo foi-se capaz de sentir orgulho, na alma e na entrega, da turma de Alvalade. Ainda que sendo uma equipa jovem e com muita margem de evolução, mostrou estar à altura de desafios de elevado grau de dificuldade.


Mas nem só de coisas boas se fez a nossa exibição. Houve aspectos negativos que influenciaram claramente o resultado final. Podíamos ter pago caro algumas infantilidades que cometemos durante os 90 minutos, as perdas de bola em zonas proibidas e complicar aquilo que é fácil, foram duas das nossas maiores falhas. O próprio golo surge de uma desatenção da defesa e no seguimento de um lance de bola parada. Desatenções que não podem acontecer a este nível competitivo e que normalmente as equipas pagam caro. Fintámos muito no meio campo defensivo, pondo em risco a nossa frágil defesa, facilitando a vida ao adversário que, por várias vezes, aproveitou esses mesmos erros para criar claras situações de golo. Acabámos por ser vitimas de uma pressão alta imposta por nós e fomos surpreendidos com passes de profundidade a explorar a velocidade de Diego Costa e companhia, sem que tivéssemos uma defesa capaz de acompanhar muitas dessas jogadas. Se a ideia passava por jogar com a defesa em linha, explorando o fora de jogo, a coisa não correu certamente como planeado. A nossa dupla de centrais continua a ser um factor de risco, sempre que solicitados a colocar mais técnica ou qualidade de passe nos lances, a coisa não funciona muito bem. Estamos demasiado limitados no eixo da defesa, precisamos de ter mais qualidade e segurança nesse sector, qualidade de construção de jogo ou na definição de qualquer tipo de lance. Aproveito para destacar Paulo Oliveira que entrou bem no jogo, mesmo a jogar-se a um ritmo intenso e frenético, o central português ex-Guimarães foi competente e interveio sempre da melhor forma quando solicitado. Será que o vamos ver no onze inicial em Penafiel? Eu voto nisso.

E por último, mas não menos importante: Rui Patrício, O Grande! Numa das melhores exibições que me lembro de ver o nosso guardião fazer, arrisco-me a dizer que podiam ficar ali a noite toda a tentar marcar que não conseguiam. Manteve o Sporting na disputa pelo resultado até ao último instante, defendeu tudo o que havia para defender e levou Mourinho por várias vezes ao desespero. Patrício foi quem separou a equipa de uma derrota expressiva de um possível empate. Foi o homem do jogo, claramente. É sempre um orgulho enorme ver o nosso capitão brilhar daquela forma,e dá-nos confiança para aquilo que está para vir. Todos temos motivos para estar orgulhosos, afinal, jogámos contra um adversário de top mundial e disputámos o resultado até ao último segundo. Algo que está apenas ao alcance dos melhores. Força, Sporting!


Sporting, tu vais vencer