jamor

Nunca vencerás a guerra se não venceres as batalhas

por 17 de Outubro de 2014Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Aproximamo-nos a passos largos do grande clássico da Taça de Portugal. Gostaria de saber o que diria aos jogadores do Sporting se tivesse a oportunidade de descer ao balneário minutos antes do início da partida – o jornalista pousou o gravador em cima da mesa e eu sabia que, a partir daquele momento, as luzes incidiriam sobre mim. Respirei fundo, como se estivesse prestes a dar um passo crucial na minha vida. Afinal, tudo se torna especial quando falamos do nosso primeiro amor.
- Andam a divertir-se com o Sporting Clube de Portugal. Convosco. Quero que saibam que foram várias as pessoas que soltaram gargalhadas e comentários irónicos aquando do sorteio desta competição. Já vos ditaram a sentença, acreditando que nem é necessário subirem ao relvado. Já preparam o próximo jogo do Porto para a Taça de Portugal e já vos riscaram da lista, expulsando-vos do possível retrato do Jamor. Acreditem no que vos digo: há milhares que estarão na bancada apenas com o intuito de contabilizar o quão má será a vossa prestação neste estádio. Para todos esses “homens do futebol”, que esperam calmamente pela vossa eliminação, vocês não são mais do que meros fantoches dentro de um jogo corrupto, sujo. Elaboraram teorias que se baseiam na manipulação do sorteio, para vos tentarem humilhar ainda mais. Afirmam que, depois deste jogo, poderão argumentar que atravessam uma nuvem de azar há dois anos para minimizarem a desvalorização que irão sentir.

Pois bem… Peço que qualquer jogador que concorde com estes “mestres” saia imediatamente do balneário, por favor. Isto é um pedido simples, livre de qualquer tipo de rancor. A verdade é que há requisitos mínimos para poder utilizar a camisola que vos oferece o privilégio de levar o leão ao peito: jamais temeremos um adversário; jamais nos escudaremos em desculpas como a falta de sorte.
Afinal, não é o Sporting que tem a melhor escola de formação de Portugal e uma das melhores da Europa? Afinal, não é o Sporting que conta com a maior onda de apoio à equipa de Norte a Sul do país? Afinal, não deve de ser o Sporting a equipa que, com muito menos de metade do orçamento deste adversário, terminou o campeonato, a época passada, à sua frente. Não deve de ser o Sporting a equipa que vulgarizou este adversário nos primeiros quarenta e cinco minutos do jogo da 6.ª jornada, esta época. Porque o Sporting nunca teria laterais capazes de parar o Brahimi. Porque o Sporting nunca teria centrais capazes de marcar o Jackson. Porque o Sporting é, claramente, a equipa que Lopetegui e Pinto da Costa escolheriam caso pudessem. Santa ignorância…

Quero que se lembrem de uma coisa quando estiverem nas vossas posições antes do apito inicial: quando jogam fora um desafio de tamanha importância, o fator público pode virar-se a vosso favor. Fechem os olhos, tentem escutar os cânticos dos apaixonados que não vos viram costas um segundo. Depois, abram os olhos. Olhem para esse símbolo encantador, o mesmo que milhões de sportinguistas transportarão colados à televisão e com o cachecol ao pescoço. Em Portugal, no Brasil, pela Europa e em todo o mundo, existirão incontáveis a dar-vos força: presentes em cada remate, presentes em cada sprint, em cada corte, passe ou cabeceamento. Se a nossa força for a vossa força, se a nossa vontade tiver o tamanho da vossa vontade, se desejarem a vitória da forma que nós desejamos e se os olharem sem medo da maneira que nós olharíamos, irão obrigar os “homens do futebol” a recolocarem-vos na lista, no possível retrato do Jamor. Irão mostrar-lhes que as manipulações e as nuvens de azar só têm peso quando não se é Sporting Clube de Portugal.

O jornalista encarou-me, na tentativa de entender se tinha terminado o meu discurso. Assenti com a cabeça.
- Não me diga que acha que o Sporting teve sorte… - a sua voz estava carregada de sarcasmo.
- Claro que não. Sorte teve o Porto, que irá existir à maior demonstração de amor de Portugal.
- De amor?
- O que é que acha que os move? – Apontei para a capa do jornal que apresentava, em letras garrafais, o título: «”Jaula” pequena para tanto leão».

Rugido de uma Leoa