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Meia hora no 25 de Abril

por 5 de Outubro de 2014À saída do estádio0 Comentários

Foi em marcha lenta que o Sporting entrou em Penafiel. Durante 60 minutos, os leões, apesar de um domínio sempre constante, mostraram alguma passividade na hora de derrubar o conjunto de Rui Quinta. Do banco, saiu o grito da revolta e em pouco de mais de 15 minutos, Slimani bisou, Fredy voltou e Nani facturou. Um resultado com números gordos e que disfarçam algumas das dificuldades que a turma de Alvalade passou no jogo.

Chego mesmo em cima do apito inicial ao Núcleo do Sporting, peço uma fresquinha, meto os olhos na televisão e vejo, André Carrillo a cruzar com conta, peso e medida para Nani desperdiçar uma oportunidade com a baliza totalmente escancarada. “Golo!”, gritei eu e todos.  Logo de seguida o desabafo de um leão ao meu lado: ” O Sporting não pode falhar golos destes! São estas merdas que complicam os jogos…”. E ele tinha razão. Um lance em que temos tudo para entrar a ganhar e acabar por golear com naturalidade, vemo-nos obrigados a ter que esperar durante uma hora para destruir a muralha defensiva dos penafidelenses. O adversário fez o que pode. Sem andamento para acompanhar a superioridade leonina, foi adiando o golo enquanto houve forças para travar o caudal ofensivo, que nem sempre foi objectivo. Até aos 60 minutos, o Sporting voltou a apresentar falhas no sector defensivo e muito por culpa de Naby Sarr. Falhas que não resultaram em lances de muito perigo porque o Penafiel também não é capaz de fazer mais.

Mas ao minuto 55 da partida, Marco Silva com a dupla substituição de Adrien/Montero por William/André Martins, mandou um recado para dentro de campo: Este jogo tinha que ser para ganhar. O treinador leonino mexeu cedo e em boa hora. Retirou de campo William Carvalho (que realizou uma péssima exibição) e André Martins, duas unidades que não estavam a contribuir para dinâmica ofensiva e colocou as duas peças que acrescentaram qualidade e imprevisibilidade à equipa. Noutro ritmo, noutra rotação, o Sporting partiu para cima do Penafiel e num cruzamento de Jeffreson pela esquerda, aparece o magrebino a picar com estrondo e a desbloquear, finalmente, o marcador.

Depois do mais difícil estar feito, o Sporting respirou fundo, puxou dos galões e realizou 30 minutos de futebol muito refinado no estádio 25 de Abril. Super-Sli fez o segundo e com isso matou o jogo. Eram os efeitos práticos da dupla substituição do técnico leonino a fazerem-se sentir. Se por um lado Adrien entrou para arrumar o futebol leonino, Fredy entrou para desestablizar a organização da equipa da casa. Pouco depois Carrillo cedeu o lugar a Capel e foi com uma assistência do espanhol que Fredy Montero voltou aos golos. “Golo, Ca****!”, foi desta forma que festejamos todos. O regresso aos golos por parte do colombiano foi festejado com tanto entusiasmo como o primeiro golo de Slimani que desbloqueou o marcador. Mas não fomos só nós que festejamos de forma efusiva, porque desde o banco, aos jogadores, aos adeptos no estádio, era notório que tinha sido um golo com um sabor especial. É uma sensação reconfortante ver o número 10 a sorrir novamente no seu regresso aos golos  300 dias depois.

Para o fim, tinha ficado o melhor. Ainda em clima de euforia por este reencontro de Fredy Kruger com os golos, digo aos meus camaradas: ” Ainda marcamos mais um e vai ser o Nani!”. Num lançamento de linha lateral, Nani combina com Montero, este devolve com classe e o camisola 77, num toque soberbo de qualidade, carimba o marcador final em 0-4.  O Sporting voltou a aplicar “chapa quatro” e sai de Penafiel com o psicológico renovado para as duras batalhas que se aproximam.

Quero deixar as minhas últimas linhas para um desabafo. No início da época disse que o primeiro jogo seria em Coimbra e frente ao Arouca pedi o Tanaka porque com ele vinham os jogos.  E agora estou preocupado. Ao intervalo disse que o resultado ia ficar 0-4 e disse também que o último seria do Nani. Acertei novamente. Isto será um sinal ou é só a minha fé verde e branca que me está a conduzir à loucura? Eu, ultimamente, tenho pensado que este é o ano em que o Sporting tem tudo para ser campeão. Acham que estarei doente?