rui

Há quem lhes chame Balizas

por 2 de Outubro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Capitão, é a primeira vez que te escrevo, e deixa-me que te trate assim para que a mensagem não se torne demasiado formal e chegue ao teu coração. Não gosto de cartas frias, pois acredito que tenha de existir um calor, uma emoção capaz de tornar tudo isto mais do que uma folha branca salpicada com pequenos pontos pretos. 

Primeiro, obrigada. Segundo, obrigada. Só agora passei a ter o direito de alargar a exposição das minhas ideias. Não te estou a agradecer pela exibição que tiveste no jogo frente ao Chelsea, pois não me lembro de ti só quando demonstras ao mundo que és o melhor guarda-redes português e levas para casa um aperto de mão do José Mourinho. Eu agradeço-te, Capitão, por estares ao nosso lado e por nunca teres desistido de nós, do nosso Sporting.

O jogador segue com a bola controlada e já entrou no meio-campo do Sporting.

Diz-me: O que sentiste quando o nosso mundo estava a desabar? Qual era a sensação de olhares para aqueles que levavam o leão ao peito sem nunca o terem respeitado? Revolta, raiva, Capitão? O que era gritar para dentro de um campo vazio de paixão pelas nossas cores? Ter de sorrir para os “líderes” que nos quiseram destruir foi doloroso? Quantas foram as vezes em que tiveste vontade de deitar a toalha ao chão e virar costas? Quantas foram as tardes e noites em que só tinhas a nossa fé e os nossos cânticos para te darem a força suficiente para seres o melhor em campo, salvando-nos jogo após jogo de aflições maiores? Capitão… Ainda bem que nos ouviste.

Mereces toda a nossa admiração, ao ponto de seres aplaudido de pé quando erras. Sabes porquê, Capitão? No pior período da nossa história, foste o jogador mais cobiçado do nosso plantel. Perdão. Não foste um jogador. Foste a alma dos sportinguistas, aquele que representava a nossa frustração, aquele que suportava as nossas cabeças, mantendo-nos vivos para lutarmos contra colossos mestres da pequenez fora das quatro linhas. No fundo, fizeste-nos acreditar que não éramos loucos, que a recuperação seria possível quando o amor pelo Sporting Clube de Portugal existe. Foste a assinatura que passava por cima dos textos daqueles que quiseram escrever a nossa morte, a garra que eles não podiam ignorar.

Vai embalado, serpenteando os defesas leoninos com uma rapidez enorme, surge agora isolado e apenas com Rui Patrício pela frente.

Capitão, tenho a certeza de que anteontem, na nossa casa, foste um dos que mais se arrepiou com aquele poderoso hino da Liga dos Campeões. Finalmente voltámos ao palco que nos pertence. Finalmente as tuas preces foram ouvidas e podes defender os nossos corações. É verdade… Há quem lhes chame balizas mas, na minha opinião, quando pisas a relva com a camisola do Sporting, defendes o coração de todos os sportinguistas espalhados pelo mundo. Defendes aquilo que nos permite amar o único de Portugal.

Vai rematar, vai fazer o golo. O jogador atira… mas defende Rui Patrício! Enorme defesa do guarda-redes do Sporting!

 

Rugido de uma Leoa