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Sporting, o Dortmund de Portugal?

por 16 de Setembro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Lembro-me de ter lido em 2011, na altura em que Godinho Lopes (medo deste nome, muito medo) se estava a candidatar à presidência do Sporting, um artigo de Bruno Prata no “Público” sobre a política que o clube de Alvalade deveria seguir para assegurar um futuro promissor. Ficou bem claro que Godinho e um futuro promissor não andavam de mãos dadas, mas não é desse tópico que vos quero falar hoje. Nesse artigo, foi dado o exemplo de uma equipa alemã que no ano de 2005 tinha praticamente entrado na bancarrota e que dois anos depois quase descera de divisão. Falamos do Borussia de Dortmund. Vencedor da Liga dos Campeões em 1997 e com um ex-sportinguista no seu plantel, Paulo Sousa, terá pago a médio longo prazo as consequências de uma política que se baseou na construção de uma super equipa e nos esbanjar de muitos milhões, tendo sido apenas campeã no seu país em 2001/02 entre 1997 e 2005. Muito pouco para um investimento tão grande.

O salvador do Dortmund, de seu nome Hans Joachim Watzke, director executivo do clube, percebeu que a solução passaria pela formação e investimento em jovens jogadores vindos de outros clubes. Lembro-me assim de repente de dois miúdos defesas centrais que chegaram a Signal Iduna Park em 2008 com 19 anos, por 10 milhões de euros. Falo de Hummels e Subotic. Para os mais atentos esta dupla dispensa qualquer tipo de apresentações, para os menos atentos, posso resumir esta dupla de centrais como uma das melhores que o futebol de topo mundial conheceu nos últimos anos. Em 2010/11 o Borussia volta a sagrar-se campeão da Alemanha, repetindo o feito na época seguinte. No espaço de 5 anos, passou de um estado de equipa falida para um estado de equipa campeã. Impressionante não é?

Claro que Jurger Klopp, um treinador jovem e que nada tinha feito para impressionar o mundo do futebol, com a sua boa disposição e uma posição quase paternalista, teve um peso enorme na re-ascenção desde gigante alemão. Klopp pôs a sua equipa a jogar bom futebol, um futebol bonito e competitivo, cheio de intensidade, romantismo e de uma entrega ímpar. Que o digam os adeptos que proporcionam assistências de 100% em Signal Iduna Park em todos os jogos, tendo mesmo conseguido rivalizar com o Barcelona no que a recorde de assistências diz respeito.

Esta semana, voltei a ler – no Record – algo que comparava as duas equipas e, se pensarmos bem, não será de todo descabido pensar em algo desse género. Bruno de Carvalho resolveu muitas das questões que quase afundaram o clube, uma delas foi o “livrar-se” de jogadores que saiam caro ao clube, trazendo como reforços jogadores mais acessíveis aos nossos bolsos e aproveitando também a prata da casa. E fê-lo muito bem. É esta a nossa realidade e não vale a pena pensarmos de outra forma, há que rentablizar ao máximo o facto de sermos uma das melhores escolas do mundo. O exemplo do Dortmund em cima referido, mostra entre outras coisas, que é possível com orçamentos mais baixos investir com qualidade, ainda que seja um investimento a médio longo prazo. Meus amigos, não há bela sem senão… Nós, não podemos exigir a uma equipa que conheceu recentemente os piores dias de toda a sua história, para de repente se erguer e começar a ganhar campeonatos. Vamos ter de ser mais pacientes do que isso.

Sei que já passaram muitos anos desde o último titulo e a fome de vencer começa a apertar cada vez mais, mas temos de manter os pés bem assentes no chão e pensar com mais clareza. Grande parte das contratações do Sporting têm em vista o futuro e não o imediato, a tenra idade de Naby Sarr, Jonathan Silva, Gauld, Sakho, Rosell, são provas disso mesmo e para um projecto destes é preciso tempo. É certo que mantemos quase a mesma equipa da época transacta e os recentes resultados deixam muito a desejar, quando comparados aos que Leonardo Jardim cedo nos habituou, mas isso é fruto da mudança de líder. Marco Silva, precisa de tempo para aplicar a sua visão de jogo, de conhecer melhor todas as capacidades que este plantel tem para oferecer e fazer com que este cresça na qualidade e maturidade também. O importante é acreditarmos que temos mão-de-obra suficiente para construir uma grande equipa, pois é isso que estamos a fazer aqui e, por mais que a nossa vontade seja grande, isso não vai acontecer de um dia para o outro.

Vamos acreditar nesta gente que nos devolveu o sonho. Compreendo alguma frustração com este último resultado em Alvalade, com a falta de golos marcados e com a “inocência” da nossa defesa nos lances em que concede tentos aos adversários. No entanto, temos de encarar isto de forma normal e continuar a apoiar. As coisas vão mudar, a equipa vai ganhar confiança e uma vitória folgada fruto de uma exibição bem conseguida, será a receita para dar a volta a esta situação. Esperemos que possa ser já amanhã diante do Maribor e que com ela chegue a confiança que tanto estamos a precisar, perfumada por 1 milhão de euros para os nossos cofres.