scp

Obrigada, Pai!

por 28 de Setembro de 2014Hoje é a tua vez, Os textos do Damas0 Comentários

Para acabarmos de vez com o mito de que o futebol é só para homens, contratámos uma leoa para soltar o seu rugido aqui n´As Redes do Damas. O mais recente elemento do blogue será a voz feminina que faltava a este espaço. A “Rugido de uma Leoa”, promete cativar o coração dos Sportinguistas e demonstrar que neste mundo a verde e branco, também existe um espaço para as Mulheres com garra.

 

Há famílias que preservam objetos simbólicos, passando-os de geração em geração como símbolo de amor, respeito, fraternidade e união. Podem ser colares, anéis ou peças menos ilustres, desde que o seu valor sentimental esteja vivo, desde que o filho saiba admirá-lo tanto quanto o pai.

Eu nunca recebi um colar de pérolas, nunca me ofereceram um anel de diamantes, mas antes uma paixão capaz de me acompanhar o resto da vida. Uma paixão que progride a cada ano que passa, que incendeia o meu coração e me deixa sem fôlego, sem voz… Uma paixão que se intitula de Sporting Clube de Portugal.

Foi há vários anos que o meu pai me passou este testemunho, mostrando-me a casa onde já vivi noites de glória, onde já perdi algumas lágrimas. Lembro-me que defrontámos o Nacional e vencemos por uma bola a zero. Lembro-me também que fiquei abismada com a alegria que brotou dos olhos da minha figura paterna aquando o festejo do golo: saltou violentamente da cadeira e, com os braços no ar, ergueu as cores que nos acompanham e nos guiam. Verde e branco. Soube, nesse instante, que só um amor diferente é capaz de provocar tais estímulos no ser humano, que não há nada mais potente do que um corpo contraído à espera do momento certo para poder celebrar esse amor. Mas soube mais do que isso. A partir daquele dia, estaria para sempre ligada a uma fé que não cede a pressões nem vive de títulos, mas sim de um orgulho inexplicável que faz com que a vontade de vestir o manto sagrado e de o espalhar pelos quatros cantos do mundo esteja igualmente frenética nas vitórias e nas “não vitórias”.

São anos de história que ainda hoje aprendo, que nos tornam enormes e capazes de enfrentar qualquer batalha olhos-nos-olhos, sem baixar a cabeça quando nos querem destruir mas, também, sem a levantar demasiado quando nos têm de aplaudir. Porque ser Sportinguista é dar tudo o que temos sem esperar algo em troca. É acompanhar a equipa de Norte a Sul do país durante o Verão que queima e o Inverno que gela, procurando incansavelmente que os nossos cânticos cheguem ao coração daqueles que representam o Sporting.

Obrigada, Pai. Entrar em Alvalade pela primeira vez foi uma das experiências mais marcantes da minha vida e, por muitas que colecione, jamais a empurrarei para o fundo da gaveta. Jamais ganhará pó porque habita no meu olhar sempre que atravesso o arco gigante que me leva àquela Curva.

Obrigada, Pai, por nunca me teres dado um colar de pérolas… Eu acabaria por vendê-lo, só para ver o Sporting jogar.

 

“Rugido de uma Leoa”